“Não vale o sofrimento”!
Não é necessário dizer que viu os melhores times do Coritiba nestes mais de 100 anos de história do clube.
Assim que chegou do Mato Grosso, entrando na juventude, isso lá pelos anos 40, se encantou com o futebol e o Coritiba era o responsável.
E veio religiosamente assim, até chegar ao título nacional em 85. Dizia que achava que não chegaria a tanto, por isso, ali, se deu por satisfeito. Parece que sabia o que vinha pela frente.
Foi como se desligasse uma chave. Simplesmente não se envolveu mais. Pelo menos não como antes. Acompanhava os resultados, conversava sobre temas superficiais ligados ao clube, mas sem se envolver. Me disse algumas vezes, quando me viu puto com derrotas ou fases ruins intermináveis: - Largue mão disso! O futebol de hoje não vale este sofrimento - dizia ele.
Ainda esta semana, comentei na gravação da TV-COXAnautas, com Honório e Carneiro, que tinha medo deste jogo contra o Figueirense. Não foi por acaso. Perdemos pontos preciosos, caímos uma posição além de perder a sequência de vitórias em casa.
Não sei vocês, mas este 1x1 contra o Figueirense, me provocou um sentimento muito maior que um empate casual em casa. Me parece ter um significado maior. Não só porque confirma o que todos já sabem há muito tempo, mas porque me parecer ser um marco. Parece chegar avisando algo, como um último argumento, como perder pontos no Couto, para a casa cair de vez.
Não só aposto em novo tropeço na próxima rodada, contra o CSA, fora, como aposto em mares ainda mais revoltos nos próximos dias dentro do clube.
É que não nos dão outra alternativa a não ser esperar pelo pior. Para esperar por dias melhores, algo de extraordinário deveria acontecer, mas este prazo parece que já se foi. Sabemos que não nos darão um time melhor do que este para torcer.
Junto com o aniversário de morte de meu pai, se vai também um pouco deste Coritiba que vão matando dentro de nós. Fazendo -me lembrar cada vez mais da frase que meu pai me repetiu algumas vezes.
“ Largue mão disso! O futebol de hoje, não vale este sofrimento”! Porque enquanto aqui nós vamos sofrendo, lá eles continuam no poder fazendo as coisas do jeito que querem. Parece que perderam a capacidade de compreender o que seria o mínimo de um futebol aceitável, próximo dos padrões que fomos acostumados.
Intimamente parece terem aceito a ideia que na verdade serão pelo menos dois e não um ano na série B . Porque não é mais possível que acreditem que com a qualidade deste futebol que o Coritiba está jogando, consiga subir.
Seria mais justo e honesto admitirem que assim será até o fim. E se é assim, começo a aceitar que este Coritiba não vale mesmo todo este sofrimento que estão nos impondo.
Este sábado, 23 de junho, marca uma nova etapa do Coritiba na série B de 2018. A postura de um Coritiba pobre e pequeno que não sonha mais com a série A de 2019.
Ou muda agora ou assume a sua pequenez.
Sobre o autor
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.
Sobre o blog
Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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