Não tá fácil te defender, Mozart!
Pois não é que nas rodadas seguintes, estamos de volta ao mesmo cenário, com os velhos personagens!? Acho que é porque futebol se faz de culpados e exaltados. Como não há o que exaltar, ressuscitamos os culpados.
Sigo aqui à espera de um fato novo, além dos mesmos exaustivamente enumerados pelo Mozart nas desgastantes coletivas, quando se refere a erros que precisam ser corrigidos.
Ele fala de um jeito que até parece que os erros são novos e durante os trabalhos da semana seguinte serão resolvidos. Mas não, se repetem como contra o Criciúma nesta quinta-feira.
Mozart cita a falha como um fato novo, lembro de pelo menos três situações semelhantes ou iguais como tomar gol de bola parada ou de lateral. Também acho que lhe falta repertório para mudar o time já nos primeiros 15 ou 20 minutos, quando todos percebem que a coisa tá a um passo do xabu.
Da área técnica, parece não haver orientação para arrumar a casa, visivelmente desorganizada, sem plano B para contra-atacar o adversário que entrou em campo armando uma arapuca, de onde o Coritiba não consegue sair.
Não classifico o modelo de jogo de Mozart como retrancado. Retrancado era o Jorginho. O problema do Coritiba está em algumas invenções que ele justifica como bons resultados em treinos e a falta de qualidade, especialmente do ataque.
Com todos estes anos de futebol, Mozart deveria ter aprendido uma das máximas que treino é treino e jogo é jogo. Falta malandragem ao Mozart, olhar além do feijão com arroz do futebol.
Mozart me parece muitas vezes pragmático, lhe falta malandragem. Quem sabe recuperar o que viveu em campo como atleta e mesclar com os conhecimentos de sua vida de sucesso como treinador. Olhar e entender o futebol como algo dinâmico e achar o talento de repassar isso ao seu grupo.
Como te defender, Mozart, quando a gente olha para o teu time e vê em campo um 11 desorganizado, nervoso… pouco profissional?. Como acreditar que no jogo seguinte haverá mudança de chave? Como acreditar que nos treinos seguintes tudo será resolvido, assimilado e executado. Porque se não for assim, a maionese desanda de vez.
Disse durante todos estes meses que, nesta série B, entre os 10 ou 12 times, ninguém é melhor que ninguém. Nós tínhamos dois diferenciais, Morisco e Josué, às vezes Ronier, além da sorte que nos ajudou por longas rodadas. Agora, nem Josué e nem os milagres de Morisco estão entrando em campo.
Também disse estes dias que vim até aqui e sigo apoiando. Claro, estamos junto, mas acreditando que só um trabalho psicológico para arrumar a casa, além do santo milagreiro que agora precisa ser você, o treinador. Ou que ao menos ache uma forma nova de jogar ou que consiga achar um atacante que faça gol, um treino que se repita no jogo, um adversário que se intimide e que tenha o retorno do bom futebol do Josué, do Ronier e do Morisco. Também que a defesa seja ouvida quando o treinador diz que tomar gol de lateral é infantil.
Um último ponto: antes da partida contra o Criciúma, eu disse que tinha certeza que o Mozart tinha preparado algo diferente para o jogo. Pela necessidade de ter que vencer. Não foi o que aconteceu. Reafirmo que para segunda-feira, contra o Avaí, o Coritiba precisa de algo novo, porque do contrário…
Oremos!
Que assim seja!
Amém!
Sobre o autor
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.
Sobre o blog
Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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