Mais uma vez roubado?
Os tempos mudaram. Hoje, o futebol tolera corrupção em níveis onde a justiça não alcança. CBF, Federações, dirigentes etc. Recentemente tivemos dentro de casa, o caso do dinheiro que até hoje não foi explicado, quando Bacellar foi chamado a contar melhor de onde vieram os 200 mil reais saídos dos cofres do Coritiba, para financiar a campanha de Gomide à presidência da Federação Paranaense de Futebol.
Considero normal o “mimimi” de torcedor que se sente roubado quando seu time perde por erro de juiz. Um ou outro resultado quem sabe até tenha a má intenção, mas não acredito que seja este o caso do polêmico pênalti que deu a vitória ao Internacional no 1 x 0 desta semana no Beira Rio. Alguns pedem punição ao arbitro da partida, por conta do pênalti que deu o gol ao Inter, só porque Valdívia confessou que se jogou no lance. Como muitos se jogam em muitos casos e até levam cartão amarelo por conta da safadeza, de tentar ludibriar a arbitragem.
Se nós, do lado de cá, mesmo com todos os recursos da TV não vimos, por que o arbitro teria que ver? Principalmente se a gente levar em conta que a jogada aconteceu quase fora do lance?
Já me manifestei aqui sobre isso. Acho que hoje as arbitragens erram muito mais por falta de preparo do que por má fé. Dentro de todo o profissionalismo que cerca o futebol, a arbitragem é a única profissão dentro deste mundo que anda à margem de tudo. Precisa se profissionalizar, ser tratada profissionalmente como tudo que cerca o futebol. Até a pipoca vendida nos estádios se profissionalizou, a bebida, o pão com bife, mas a arbitragem não .
Sou até capaz de admitir que um ou outro caso mereça uma investigação mais apurada, mas o que há é falta de preparo e não má intenção. Pelo menos neste caso de Coritiba e Inter.
Se Juan tivesse acertado a sua cobrança de pênalti, certamente o choro seria menor e a gente pudesse aceitar, com menos choro um empate ou com um pouco de sorte até a vitória.
A TV nos viciou nesta avaliação que nos dá uma visão que em anos passados não existia. Pior, quando nos deparamos com manifestações como a de Valdívia, que mais parece um deboche e irrita saber que fomos enganados, justamente num momento como o de agora, quando o time começa acertar.
Com todos os impedimentos que tivemos até aqui, com um time que ainda não conseguiu convencer fora de casa, voltar com mais uma derrota. “Roubada”, irrita muito mais. Mas não dá pra culpar apenas a arbitragem que não viu direito o lance, além da malandragem de Valdívia que deveria ser punido quando confessa que usou de má fé.
Antes de tudo as cobranças precisam ser feitas aos verdadeiros culpados. Se você procurar vai achar pelo menos mais uns três que podem responder por mais esta derrota.
Sobre o autor
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.
Sobre o blog
Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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