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ArquibancadaSergio Brandão

De Wilson a Kleber

Percebo entre alguns torcedores uma certa dificuldade para entender algumas questões do momento que vive o Coritiba. Alguns estão a fim mesmo de ver o circo pegar fogo. Preferem tumultuar do que buscar soluções. Também já encontrei aqui alguns poucos que torcem pelo rebaixamento, com o argumento que o Coritiba precisa cair para aprender.

Já caímos e não aprendemos (2005 e 2009). Como disse na semana passada, a queda pra série B é muito cruel. Além do dinheiro bem mais curto, também se perde técnica e administrativamente. A crise financeira vivida hoje, certamente tem muito a ver com as quedas anteriores, especialmente com a de 2009, quando somamos grandes prejuízos, que entre tantas dificuldades, uma delas foi a mudança de endereço.

Mas com os que estão envolvidos na mesma causa, podemos trocar algumas ideias.

Vamos lá: torcemos e queremos nosso clube na primeira divisão em 2018, certo? Se sua resposta é sim, parece que começamos bem e a conversa flui mais fácil desta forma.

Na Tv COXAnautas desta semana, no ar desde esta terça-feira (24), entre tantos temas, falamos da possibilidade da volta de Kleber, assunto que acabou provocando contestação e até ironia de alguns comentaristas aqui no site.

Primeiro ponto: Kleber ainda é funcionário do clube e a ele cabe prestar serviço ao Coritiba. Segundo ponto: mal ou bem, completamente recuperado, ou não, fora de jogo, ou até gordo, ainda é o principal jogador de ataque que temos. Terceiro ponto: não está em discussão o caráter, a cusparada, simpatia ou não que o jogador deve ter com torcida e com o Coritiba.

Elegemos como prioridade número um, soluções para que o Coritiba saia desta situação e escape do rebaixamento, embora sabemos ser muito difícil. E Kleber é uma boa alternativa, sim. Ou você acha que H. Almeida, Filigrana, Keirisson, Geterson ou Alecsandro são melhores opções?

Kleber é o que temos para o momento, meus caros. Se vai resolver, a questão é outra. Aliás, além de Kleber precisamos usar todas as armas disponíveis. Tudo precisa ser tentado. Se Galdezani, por exemplo voltar a jogar próximo do que jogou no inicio do Brasileiro, precisamos esquecer as lambanças feitas até aqui e apoiá-lo como titular.

Vamos cair? Não sei. Temos muitos motivos para acreditar que sim, mas enquanto houver vida, há esperança. E na minha opinião, agora, uma delas é a volta Kleber, sim.

Outra questão que me parece ainda não estar clara, é esquecer agora esta responsabilidade que dirigentes têm na montagem deste time. Aqui, alguns cobram que nossas críticas deveriam estar dirigidas aos administradores do clube e não a Marcelo Oliveira.

Quem me acompanha aqui sabe muito bem o que penso sobre Bacellar, Pedroso, Alex Brasil e o tal G5.

Neste momento não interessa mais concentrar artilharia neste problema. Até porque, no final do ano estarão muito bem claras as intenções nas eleições de 9 de dezembro.

Cobrei durante o ano todo de Bacellar e sua turma. Aliás, cansei de cobrar. Acho até que fui persistente demais. Mas agora minha preocupação é com o Coritiba que Marcelo Oliveira tem pra colocar em campo. Com o Coritiba que estes dirigentes deram ao treinador para trabalhar, mas que neste momento não há mais o que fazer. É com este time que o Coritiba termina este Brasileiro de 2017. Com este time limitado e cheio de problemas. Um time com a cara de nossos dirigentes, para usar uma frase que usei com muita frequência durante meses.

Me junto aos que ainda esperam dias melhores, independente de Bacellar e cia. apesar de Marcelo Oliveira, de Kleber, de Galdezani, de Tiago Real, de Longuine... Apesar de todos eles, acredito que ainda é possível, apesar de algumas vezes ter acreditado que o Coritiba ia mesmo cair.

Mas agora, prefiro ficar com o espírito do nosso guerreiro Wilson, que mesmo nas melancólicas derrotas em pleno Couto, sempre se mostrou indignado com os fatos. Que apesar de já ter tomado 3 gols numa só partida dentro de casa, brigava para não tomar mais e sempre acreditando que todos podiam dar mais do que estavam dando naquele momento. E de todos sempre cobrou mais empenho.

Que o espírito de Wilson, nosso grande defensor do arco, seja o espírito do Coritiba nesta reta final de Brasileiro.

Só assim tenho mais um motivo para acreditar que ainda dá.

Sobre o autor

Sergio Brandão
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.

Sobre o blog

Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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