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Arquibancada
ArquibancadaSergio Brandão

Iniciem a revolução!

Confesso que tô cansado deste futebol, especialmente do Coritiba. Depois da partida contra o Londrina, parece que virei a chave. Finalmente vejo o fim do poço.

As mesmas frases, as mesmas desculpas e no caso do Coxa, a mesma teimosia e a mesma burrice, que cada vez mais vão tirando a graça que o futebol já teve em minha vida.

Quanto ao contexto todo do futebol, tenho me envolvido ao mínimo com as partidas que a televisão oferece. Não consigo mais acompanhar nem pré e nem pós jogo de nada, seja o jogo que for.

Entrevistas coletivas andam sendo uma saudação a burrice e a mesmice, e isso já faz muito tempo.

Ler, ouvir análises seja de especialistas, atletas, treinadores é ouvir a repetição de uma mesma conversa de 10, 15 ou 20 anos atrás.

Quem acompanha futebol sabe do que estou falando. Não cabe aqui repetir a velha ladainha das desculpas pelas derrotas ou comemorações pelas vitórias.

Vejo o que posso e quero, dos 90 minutos ou mais, quando tem prorrogação, mas ando abrindo mão do resto.

Quando tudo isso chega no Coritiba, aí a coisa fica mais tenebrosa ainda.

Tenho me obrigado a me informar, a ver e ler para trazer aqui meu ponto de vista sobre nosso clube. Quando possível contribuo com alguma informação e tento fazer deste encontro que temos por aqui, algo prazeiroso. Prazer que os dirigentes Coxa andam tirando da gente.

Samir, o comandante desta Nau à deriva, mais à mercê do vento que sopra, às vezes a favor, às vezes contra. Mas sempre des-governado.

O fato é que como disse Ricardo Honório em sua última coluna, este Coritiba está de brochar, de tirar o tesão de qualquer um.

Sábado contra o Londrina vi o fim do poço e deste jeito, com o caminho que nos oferecem, não sairemos desta mediocridade.

A displicência dos dois atletas que reforçaram o Londrina, Thalison Kelvin e Vítor Carvalho, é a cara do Coritiba de Samir. Irmãos gêmeos na incompetência, na arte de afastar a torcida do clube, de não ter a compreensão do que tentamos dizer o que é o Coritiba, o que representa o Coritiba no contexto do futebol, para esta gente.

Hoje, segunda-feira e nada acontece no Coritiba. Um desastre que deveria sacudir o Alto da Glória, e nada da Nau de Samir sair desta rota de colisão.

Pelo contrário, parecem achar normal perder como perderam para o Londrina, nas circunstâncias que perderam. Com as mesmas bobagens de sempre, nas frases que não enganam mais ninguém, falam até com naturalidade sobre o atual momento. Já incorporaram o espírito perdedor. Agora querem também nos convencer disso.

Tô cheio, disposto a tudo para ajudar a sacudir esta gente, na tentativa de tirar o pó e sair deste irritante marasmo que nos colocam.

Saudades da época dos homens de saco roxo, que ao menor sinal de má vontade, de derrotas inexplicáveis e principalmente de incompetência, no dia seguinte viravam a mesa e faziam renascer um novo comando, muitas vezes demitindo grupos enormes de funcionários do departamento de futebol.

Hoje é segunda-feira, 16 de setembro. No dia 14, sábado, com o time que colocaram em campo e que perdeu por 2x1 para o Londrina, de virada, com o adversário jogando com um atleta a menos, com dois gols entregues - bizarros até - não é possível admitir que tudo fique como está.

Não esperem as duas rodadas seguintes, na esperança de novos dias.

Gritem agora, para não chorar depois. Não esperem por mais um ano, não esperem que com estes dirigentes o Coritiba viva dias melhores.

Iniciem a revolução. Coragem!

Sobre o autor

Sergio Brandão
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.

Sobre o blog

Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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