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Arquibancada
ArquibancadaSergio Brandão

Imprensa desrespeitada

Me perdoem por ocupar o espaço para um desabafo, mas que por tabela recai também sobre o futebol, não só ao jornalista e ao torcedor Coxa, mas todos nós torcedores que temos o hábito de levar o rádio como companheiro aos estádios, por este país a fora.

Lembro que Ênio Andrade, treinador Campeão Brasileiro em 85, dizia que o torcedor não entendia nada de futebol. “Tanto não entendia que precisava levar um rádio ao estádio para acompanhar o jogo, que ele mesmo estava vendo”. Não concordo com Ênio. Além de dar informações que a gente não alcança com os olhos, o rádio ainda oferece informações de plantão, resultados de outras partidas, oferece uma outra visão da própria partida que assistimos, avisa sobre substituições, além da magia que sempre foi, com narrações que eram verdadeiras viagens que Lombardi Jr, Carneiro Neto, Edgar Felipe, Durval Leal, Raul Mazza e tantos outros sempre nos ofereceram.

Além das perdas que temos por conta das mortes de muitas destas figuras, caso recente de Edgar Felipe, agora nossos empresários da comunicação terminam de matar o que resta do futebol no radio paranaense.

A equipe de futebol da rádio CBN foi toda demitida na sexta –feria passada, coisa que nos deixa poucas opções para acompanhar nossos times no Brasileiro. Ouvia a CBN não porque era a melhor equipe, mas porque tinha o melhor som. Não tenho boa sintonia com a Transamérica, no aparelho que uso e a Banda B nem existe como opção, pelo menos em meu equipamento.

Agora, tanto BAND NEWS como CBN, só nos dão como opção, as transmissões dos jogos dos clubes de São Paulo e Rio. Voltamos no tempo, e viramos província de São Paulo, novamente.

Mais triste que tudo isso, é ver companheiros se somando ao enorme time de radialistas e jornalistas desempregados, num mercado que parece fadado ao desaparecimento. Logo acabam com a profissão como os dinossauros no planeta. Tamanha a “competência” de nossos empresários, que só conhecem o caminho do retrocesso já há alguns anos. Não se trata de ajuste ao momento econômico do país. É incompetência mesmo, em alguns casos até safadeza e desrespeito aos profissionais - alguns empregados há anos nestes veículos.

Lamento, preocupação, revolta e acima de tudo muita indignação com este mercado que nunca foi parceiro de seus competentes e abnegados profissionais, que se dedicam em plantões de final de semana, feriados... muitas vezes por salários indignos. Em resposta, a esta dedicação, recebem este tipo de tratamento: demissão em massa, da noite para o dia, sem muita explicação.

Voltando ao tema CBN, que comemorou estes dias 20 anos no ar, parece que marca os últimos anos, pelo desrespeito aos seus funcionários, como os outros veículos do ramo, mais velhos e instalados há mais tempo no mercado.

O romantismo da profissão do rádio, da tv e do jornal, parece que já acabou. A necessidade e a preocupação com a qualidade da informação sempre teve só um lado, o dos funcionários.

Restam ainda novos profissionais que provavelmente, em alguns milhões de anos, serão redescobertos em escavações paleontológicas.

Que DEUS os proteja de seus chefes!

Sobre o autor

Sergio Brandão
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.

Sobre o blog

Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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