Habemus artilheiro!
Os mais reservados -principalmente se falamos da torcida do Coritiba - sei que dirão: "nada disso, é muito cedo, ele está apenas começando!". Outros vão dizer que é fogo de palha, ou ainda, "no brasileiro vai sumir". Coisas do torcedor Coxa-Branca, quem nem um Coxa-Branca é capaz de explicar.
De qualquer forma, seja qual for o seu entendimento deste novo ídolo, os gols de Rafhael Lucas são diferentes, parecem mesmo fáceis de fazer. Mas só faz quem se posiciona como ele, chuta como ele e principalmente, olha o jogo como ele.
Além do segredo, da intuição no posicionamento dentro ou fora da área, sempre pronto para o arremate ou bobeira dos outros numa sobra, ele ainda tinha mais uma pra nos mostrar: revelou outra qualidade nesta partida contra o Cascavel. Sabe olhar adiante, perceber toda a jogada e a partir da conclusão do que vê, concluir mortalmente.
O segundo gol do Coritiba e o primeiro dele no jogo, é uma prova disso. Aproveitou como poucos aproveitam a falha da zaga adversária, se posicionando bem – coisa que parece aperfeiçoar a cada partida, se tornando uma das marcas deste menino. Neste gol, Rafhael teve calma e visão, percebeu toda a jogada, para depois fazer o arremate certeiro. No chute a longa distância ele percebe a posição do goleiro e da zaga, batendo com meia força, exatamente do lado que tinha que bater. Jogada que se cai no pé de um "cabeça de bagre", o chute sai forte e geralmente por cima, bem distante do gol. No chute de Rafhael Lucas, não. A bola ainda caprichosamente passa por baixo das pernas do zagueiro antes de entrar. Se puder vejam calmamente este gol e perceberão a riqueza de detalhes.
Os dois gols deste domingo parecem definir um marco nesta fase do artilheiro do Campeonato. Além da vitória, dispara na artilharia. A esta altura já poder ser aclamado como a revelação do campeonato.
Rafhael Lucas revive o que a torcida há anos esperava. O surgimento de um novo artilheiro. Quem sabe, seja pouco comparar Rafhael Lucas com os grandes nome que tivemos lá na frente, nos últimos anos.
Espero mais de Rafhael, me parece um jogador mais completo, mais talentoso que qualquer um que tenha vestido a verde e branca nestes últimos 15 ou até 20 anos. Quem sebe seja possível compará-lo a Chicão, ídolo no final dos anos 80. Chicão era mais alto que Rafhael Lucas. Foi o rei dos arremates, por cima ou por baixo.
Rafhael Lucas leva a vantagem de ainda estar começando sua carreira, embora esteja retomando, depois de um longo período afastado, por conta de uma grave contusão.
Rafhael Lucas parece ter prazer no que faz. Faz sua profissão parecer fácil. Dá uma cara diferente pros seus gols, coloca um plus a mais no seu trabalho.
Começa a ganhar graça ver o Coritiba de Rafhael Lucas jogar. Parece que este menino ainda vai nos dar muita alegria e muito o que falar.
Sobre o autor
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.
Sobre o blog
Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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