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ArquibancadaSergio Brandão

Goleada Coxa-Branca

A cada fuçada que dou na página do clube, acho perolas que me assustam. Eles, os dirigentes, custam a entender, continuam tratando o Coritiba como um clube amador, como tratam suas empresas, seus negócios pessoais. O futebol é moderno, cresceu, o futebol virou um grande negócio, onde não sobrevive mais quem erra em pequenas e nas grandes coisas, como as que percebo no site do clube. Aliás, mais um pequeno detalhe, que no contexto, somado com os grandes erros que comentem, também fica grande. Então, deixa eu me ater mais uma vez a um pequeno detalhe.

Achei uma promoção, chamada “Goleada Coxa-Branca". Ao desatento e apaixonado torcedor, isso passa desapercebido. Está lá no site do clube, foi lançada em 14/10/2015 e atualizada em 23/10/2016). Portanto, uma promoção que vai completar um ano, e está lá em posição de destaque na página do Coritiba. Além de desatualizada, nem sei se ainda existe a tal promoção, deveria ser tirada de onde está. Afinal, goleada, não é uma palavra que digerimos muito bem ultimamente.

Mais parece uma brincadeira, que não tem nada a ver com o momento que vive o Coritiba. Criado para atrair o torcedor, visando sempre arrecadação de recursos, a ação até é bem intencionada, mas neste momento, mais parece um tiro no pé. Estratégias de marketing são necessárias, mas agora falar em “Goleada Coxa Branca”, alcança a ironia.

Até parece que os dois departamentos, o de futebol e o de marketing, trabalham para cubes diferentes. Nunca fizeram uma reunião juntos. O detalhe é pequeno sim, mas nestas pequenas coisas, estão escondidas as grandes, como o profissionalismo que falta ao Coritiba em vários setores, especialmente no futebol, onde está a alma do negócio do Coritiba. A falta deste profissionalismo alcança um casamento que não existe entre os departamentos. Se não houver futebol, se o departamento de futebol não se profissionalizar de verdade, não há estratégia de marketing que venda o clube.

Enquanto não houver uma goleada a nosso favor, mas dentro de campo, no gramado, jogando bola, enquanto o futebol não for o protagonista desta história, ninguém compra esta e outras ideias de promoção do clube, criados pelo departamento de marketing. Principalmente com um nome destes, num momento como o de agora.

Com um nome deste, “Goleada Coxa-Branca”, a primeira imagem que me vem são as surras que o time anda levando. Aí, fiquei pensando, como seria na verdade uma “Goleada Coxa-Branca”? O Torcedor paga e se acertar de quanto será a próxima goleada que vamos levar, não paga ingresso na próxima rodada? Ou se acertar com goleada dentro de casa, não paga ingresso o ano todo?

Não sei você, mas estas coisas subestimam minha inteligência. Desrespeitam quem paga ingresso, que sofre e torce, chagando a perder o humor, não suportando mais esta falta de comprometimento que dura anos.

Neste momento, “Goleada Coxa-Branca” é deboche, é desrespeito, é não pensar seriamente em quem compra o produto. "Goleada Coxa-Branca" é pouco diante do que estes dirigentes andam fazendo com o Coritiba, eu sei. Mas é um pequeno exemplo do grande estrago que andam fazendo com o grandioso Coritiba.

O Coritiba precisa sair deste pequeno mundo de faz de conta e agir como gente grande, antes que seja tarde.

Sobre o autor

Sergio Brandão
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.

Sobre o blog

Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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