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ArquibancadaSergio Brandão

Futebol para extraterrestre

Vamos supor que um ser de outro planeta tivesse se interessado pelo jogo entre Coritiba 1 x 0 Palmeiras, e como não sabe nada de futebol, precisou de ajuda. Recorreu a dois torcedores, um de cada time, que se sentaram ao seu lado no Couto Pereira. O coitado sai do estádio ainda mais confuso. Viu dois times jogarem buscando o gol , mas só um consegue o gol e de forma espetacular. Vence por um a zero.

Depois de uma desgastante resenha com os dois torcedores, ele finalmente percebe que a conversa não sairia daquela discussão. Logo conclui o que já desconfiava: eram dois apaixonados e morreriam defendendo seus times, mesmo que não acreditassem no que diziam.

O ET então sai atrás de ajuda profissional. Procurou, procurou ... e achou que no jornalismo esportivo encontraria a resposta para as perguntas que só cresciam. Afinal, ali deveria estar pessoas comprometidas com a verdade, com a informação e que jamais agiriam pela paixão. Pegou duas fontes : jornais de Curitiba e os cadernos de Esportes do Estadão e da Folha de São Paulo. Na Folha e no Estadão, estão lá críticas ao mau desempenho do Palmeiras e nenhum elogio ao Coritiba, time vencedor daquela partida. Os jornais de Curitiba, pelo contrário, elogiavam o time da sua cidade, enaltecendo o feito lembrando que a vitória foi valiosa porque batia um forte adversário. ET não entendeu nada. Mas já concluía que o tal do futebol era uma paixão que contaminava tudo, independente de posição. Torcedor, jornalista, padre, freira, pai de santo, velho ou novo, homem ou mulher, adulto ou criança. Difícil de ser avaliado só com a razão.

Esperou por mais um jogo do famoso Coritiba, a sensação do campeonato, ao lado de mais duas ou três equipes para depois, com mais informações, levar um relatório mais completo ao seu Planeta. Pediu permissão para ficar mais uma semana. Lá se foi o ET para o Rio de Janeiro, ver Botafogo x Coritiba. Decidiu tirar suas próprias conclusões, desta vez sem interferência de torcedor ou de jornalistas esportivos.

Viu uma partida de futebol mais disputada que a anterior, com mais gols, mais franca, mais igual, com lances mais eletrizantes. ET finalmente começava a se interessar por futebol, mesmo ainda sem entender direito aquilo tudo. Percebia que ali também nascia uma preferência por aquele clube que ele via pela segunda vez. Mesmo sem entender direito o que acontecia dentro de campo, aquelas cores, aquele jeito de jogar bola lhe chamavam mais atenção. Ele não sabia explicar, mas havia algo diferente naquele time que todos chamavam de Coritiba. Até o nome era mais simpático que o dos outros.

Assim nasce um torcedor. Não precisa entender direito de futebol, dominar esquema tático, conhecer suas regras. Quando há futebol, quando há empatia, quando algo além de vencer move as coisas, tudo parece melhor e maior que os outros... quando o cara percebe já virou torcedor, mesmo que seja um ser de outro planeta. ET já estava contaminado pela paixão que na Terra chamam de futebol. Pediu pra ficar. Seu pedido foi aceito. Virou correspondente de seu planeta na terra.

Passou a dizer que o futebol era como todo namoro, que acaba em casamento. É um amor numa relação de confiança que começa devagar.

O Coritiba volta a encantar, a ganhar confiança de velhos e novos torcedores.

Não tenho dúvida que se assim seguir, passa fácil dos 25 mil sócios, meta para as próximas semanas.

Contra o Bahia e depois Corinthians, teremos até Extraterrestres pelo Couto, não tenha dúvida.

Sobre o autor

Sergio Brandão
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.

Sobre o blog

Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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