Fora da ordem
Se o Paraná Clube bate recorde de público na casa do Atlético, numa festa inesquecível, caminhando seguro para voltar a ser um dos grandes do futebol brasileiro, e o Londrina ganha o título da Primeira Liga, em cima do poderoso Atlético MG, algo se movimentou dentro da ordem estabelecida no Estado, e nós, com olhos só para nossos umbigos, não vimos. Se alguns viram, ainda não entenderam. Sim, porque algo mudou ou está mudando e do nosso lado continua igual ou até pior.
Enquanto os dois maiores, Coritiba e Atlético, não ganham nada, pelo contrário, colecionam fracassos, os dois menores vão ressurgindo. Andam caminhos quase iguais, um apenas menos ruim que o outro. Batem recordes de público, mas de baixo pra cima, conseguem colocar cada vez menos torcedores em seus estádios - os dois maiores do Estado. Que agora mais servem para shows musicais, cultos, casamento coletivo, menos para o futebol. A festa do futebol que se vê lá dentro, é dada pelos outros.
Falando do Coritiba, que é o que nos interessa, ficou para trás, não conseguiu acompanhar os grandes do Brasil e no meio do caminho foi se encostando nos atalhos que apareceram, sem se dar conta que atrás ainda vinham outros ainda menores, mas que ao que parece acabam de nos passar ou estão passando.
Não se trata de discurso fatalista, não acho que isso seja definitivo, mas já passou da hora de acordar para também se movimentar diferente. De buscar soluções e novos caminhos.
E parece que o momento é este, não tendo outra escolha. Aliás, o Coritiba passa pelo momento ideal para buscar esta mudança. Vive o pior a piro crise técnica de sua história, enquanto ainda é elite do futebol brasileiro, está a um passo de compor o grupo dos pequenos, e ainda vive uma crise politica que talvez seja a maior de sua centenária história.
Sem comando, com o clube em véspera de eleição e nessa situação crítica, ainda sendo deixado para trás por seus adversários menores do Estado, quem sabe não seja mesmo o momento de fechar a casa para balanço e recomeçar uma história, para pelo menos não perder o que resta, - respeito conquistado em 108 anos de história.
Senhores, não é por acaso que o Paraná está ressurgindo. Não foi por acaso que o Londrina conquistou o título da Primeira Liga.
Baixem as armas, ninguém veio atrás de briga. Queremos apenas o nosso Coritiba que enchia estádios, que ganhava títulos. Que era orgulho de sua torcida.
Sobre o autor
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.
Sobre o blog
Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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