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ArquibancadaSergio Brandão

Foi dia de Dudu

Se desde 89 a gente se enfrenta em clássicos com o Paraná, não lembro nestes quase 30 anos de história, de ter tido uma partida tão fácil como a de hoje, contra eles. Foi a falta do tal do Lúcio Flávio? Não sei. Só sei que nos primeiros 10 minutos de jogo, o Coritiba jogou o que ainda não havia jogado em todo o campeonato. Em menos de 5 minutos já tinha criado duas boas chances de gol, uma delas num lance de um gol imperdível de Alan Santos, chutado em cima do goleiro, debaixo do gol. Não fosse este lance, a partida de hoje teria sido finalmente o grande jogo de Alan Santos com a camisa do Coxa.

Faço a colocação acima, questionando a qualidade do adversário, porque vi o Paraná em apenas um jogo este ano. Foi contra o Londrina, numa partida de boa qualidade técnica, mas longe do que diz a imprensa. O time deles não é isso tudo. Vou até mais longe. Começam a cair e entram a partir de agora na descendente.

É verdade que por azar deles, o Coritiba acertou. Esteve numa noite inspirada, como ainda não tinha tido este ano, mesmo que se leve em conta as goleadas contra Cascavel e Operário. Três a zero ficou barato para o Paraná. Falhas de defesa, um pênalti infantil, foram determinantes para o placar, mas o Paraná deixa o Couto comemorando. Três a zero ficou barato.

E nós, como gato escaldado, nem o começo fulminante nos convenceu, não é? A mim pelo menos, lembrou algumas partidas onde começamos bem, mas que com o tempo fomos cedendo espaço deixando o adversário crescer no jogo e em algumas até perdemos. Foi assim muitas vezes ano passado e retrasado. Hoje não, dominamos o jogo todo. Quase não passamos sustos. Méritos também para a volta de Lucas Claro, que ao lado de Juninho, deram segurança lá atrás. Pela primeira vez, Wilson teve mais sossego e quase foi convidado para vestir a camisa 12, a de torcedor, e assistir o jogo na arquibancada. Wilson merecia um dia de folga, como o que deram de presente a ele neste domingo.

Na frente da zaga, João Paulo e Alan Santos, deram o suporte e a segurança necessária. João Paulo ainda peca em saídas de bola. Quem sabe precise ser avisado que não joga tudo que imagina que pode jogar. Arrisca demais quando pode e deve fazer o mais simples. Tenho a impressão que assim como ressurgiu Lucas Claro, quem sabe não seja a hora tambémde experimentar Cáceres. Por que não dar ao gringo mais uma, a derradeira chance de se redimir com a torcida e principalmente com a comissão técnica.

Deixei para falar de Dudu no final. Os dois gols apenas premiam a melhor partida dele, fazendo o papel que se espera de um meia com a sua característica. Dudu foi impecável. Jogou de smoking: serviu, fez gol, driblou, ousou... nos dá a esperança de que as coisas podem ser melhores neste meio de campo, que há dois anos, desde a saída de Alex, esperamos pelo encantado camisa 10, o meia armador, o cérebro do time que põe a bola no chão, arruma a casa, fazendo a famosa ligação com os homens da frete. Foi assim que vimos Dudu na partida de hoje, no clássico com o Paraná.

Sai do Couto aliviado, mas sabendo que o time está longe do que queremos e merece o nome Coritiba Foot Ball Club. É um começo. Quem sabe como ouvi de um torcedor na saída do estádio: “o campeonato começa agora para nós”!

Deus queira que seja este o começo do padrão de jogo que tanto queremos e precisamos ver.

Sobre o autor

Sergio Brandão
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.

Sobre o blog

Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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