Fala, Samir!!!
Gravar um vídeo que será levado a uma comunidade, não é simplesmente sentar em frente a uma câmera e dizer coisas que veem à cabeça, principalmente neste caso, quando se trata do presidente de uma instituição como o Coritiba dando satisfação ao seu torcedor, num momento como o de agora. Delicado, turbulento e de descrédito quase que generalizado a um trabalho.
Samir devia primeiro se armar de argumentos mais fortes, com outro viés do que usou até aqui. No mínimo mudar o vocabulário, com raciocínios mais convincentes, vender uma imagem mais positiva. Marketing é o nome disso. Saber vender um produto, uma ideia, convencendo o comprador.
Outra questão: se referir à imprensa de forma pejorativa e genérica, inclusive dando nomes dos veículos, talvez não seja uma estratégia muito inteligente, levando em conta o grande mau estar já existente entre os dois lados. Basta rever as últimas citações feitas pelos principais sites de notícias, ao Coritiba, esta semana, por exemplo. Pode esperar que a partir de agora, a artilharia contra o Coritiba, será ainda maior do que tem sido. Não aconselho comprar uma briga com formadores de opinião. Neste momento, o ambiente do Coritiba precisa ser de paz, não de guerra, principalmente com a imprensa. Estratégia usada pelo CAP e que resulta no que andamos vendo, embora ali a estratégia de venda do produto seja mais profissional, não precisando tanto assim da imprensa/setorista.
Quanto ao mérito, o conteúdo das respostas aos sócios, disponível desde ontem nos canais do clube, com perguntas feitas apenas por sócios adimplentes, e não por toda a comunidade Coxa, algumas observações. Primeiro: tentar dar este tom de entrevista, tendo apenas um intermediário e não um jornalista que de fato faça perguntas, tira um pouco da seriedade da proposta. Seria mais interessante dar uma cara diferente ao serviço, reformatando a proposta, deixando com uma cara mais isenta.
Outra questão: fazia muito tempo que não ouvia com tanta frequência a expressão "fluxo de caixa”. Não contei, mas certamente foi a expressão mais usada por Samir, nesta quarta aparição onde são dadas satisfações, deixando a conversa , como já disse aqui, com cara de escritório de contabilidade.
Em mais de uma hora de gravação, Samir também admitiu erros nas contratações de Alvarenga e Alan Costa, mas não admitiu mudar o planejamento feito, anunciado em campanha, baseado nos três pilares como ele gosta de chamar: base, profissionalização e ajuste das finanças.
Sobre Carlos Cesar, que veio como titular e ainda não jogou, Samir disse que tanto ao Coritiba como ao jogador, faltou sorte. Três contusões inesperadas impediram sua estreia, mas logo o atleta estará pronto para jogar.
Reiteradas vezes, Samir trata J. Rusch, Vitor Carvalho, Nathan, Pablo Tomaz, Sasse e Kady, como grandes revelações e que no futuro renderão muito dinheiro ao Coritiba.
Admiro a confiança e a convicção do presidente em suas ideias, mas temo pelo pior, quando com toda segurança ele ainda fala que a prioridade é subir.
Presidente, sinceramente, com este time o senhor acredita mesmo nisso? Com toda a sua rodagem, imagino que com o mínimo de conhecimento de futebol que o senhor possa ter, imagino que as expectativas devem pelo menos diminuir a cada rodada.
Em certo momento da entrevista, Samir diz que a partir de “agora a coisa vai”. Numa referência as duas últimas contratações, Rafael Lima e Belusso.
E se não for, e se não der certo, presidente? Temos um plano B para o segundo turno?
Não me junto ao torcedor que ao final da gravação pede a sua renúncia, como também nunca acreditei que isso seria possível, mas acho que se continuar assim, o senhor sai antes, não por vontade própria, mas sua saúde vai abrir o bico, tamanha será a pressão que o senhor terá daqui pra frente.
Sobre o autor
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.
Sobre o blog
Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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