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ArquibancadaSergio Brandão

E agora, Samir?

O treinador do CRB deve ter pesando: é em cima deste Coritiba que começo a minha recuperação. Quase deu certo.

Argel deve ter pensado, fazer a estreia no Coritiba, pegando o fraco CRB, não tem começo melhor. Nenhum dos dois treinadores foram felizes. Na situação de ambos, o empate foi péssimo.

Para nós torcedores, mais que isso: tomar sufoco do CRB nesta circunstância, é fim de linha.

Na quinta-feira, conversando com um amigo, grande Coxa-branca, ele usou uma expressão que figurativamente é a mais próxima e muito fiel das muitas que ouvi até agora. Disse ele: “Samir pegou um voo direto, sem escala da arquibancada, para os gabinetes”.

É o deslumbre do menino recém saído da adolescência, agora no comando de um brinquedo que até então só via na vitrine da loja. O Natal chegou e Papai Noel lhe trouxe finalmente o presente dos sonhos.

Esta transição não poderia ter sido feita assim, sem um prévio preparo, direto da arquibancada ao comando de um clube centenário. Samir me dá a impressão que ainda não percebeu o estrago que está fazendo. Não conhece e não tem ideia do tamanho do que têm em mãos.

A recusa ou a ausência de notórios Coxas neste momento grave, que poderia ajudar e que quase aconteceu, já passou da hora. Quando ainda era o momento de união, isso não se deu porque Samir ainda achava que era super-herói e daria conta do problema. Talvez achando que faria nome na história do clube, apenas com uma ideia, um plano de metas como ela gosta de chamar, mas que na prática naufragou já nos primeiros três meses.

O problema só se agravou e agora já não é mais possível correr atrás de solução porque ficou tarde e não há mais o que fazer.

Unir ilustres em nome da salvação Coxa, só não aconteceu antes porque da sua soberba, Samir ainda brincava de administrar e não queria ninguém por perto. Mais uma vez não foi feliz em mais uma decisão. Como não foi antes, quando achou que estava certo e sequer ouviu seus parceiros.

Pior, ainda acha que está certo, nos presenteando com uma auto avaliação, se considerando “muito bom”, quando perguntado que nota lhe daria neste trabalho de 9 meses à frente do G5.

Reforço aqui o que já disse há duas semanas. Lhe resta uma saída estratégica pela direita, Samir. Prepare sua retirada do front, pode ser aos poucos, sem que seja notada. Aos poucos vá delegando aos que se apresentaram para lhe ajudar há um tempo atras. Até novembro, quando termina a temporada 2018, ainda teremos tempo de ajustar os estragos e acertar algo para 2019. Se o título de presidente lhe faz bem, ele pode continuar lhe servindo até o final de seu mandato, mas se cerque e deixe as decisões a quem de fato pode mandar.

Creio não ser interesse de ninguém lhe tomar o brinquedo da mão. A bola é sua, mas a escalação do time deve ser feita por uma equipe mais capaz que a sua.

Sobre o autor

Sergio Brandão
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.

Sobre o blog

Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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