E agora, Pacheco?
Tenho feito muita força para não tumultuar o ambiente já tenso no Coritiba. Sei do meu tamanho e tenho consciência que quase não causo barulho algum, mas como também sei que muitos atletas e funcionários do departamento de futebol às vezes dão uma passadinha por aqui, só para saber como estamos, só pra saber como anda a família... vale mais uma vez manifestar minha indignação com alguns dos novos fatos.
Desta vez com o treinador Pachequinho, meu amigo e por quem tenho profunda admiração e respeito, mas que na coletiva de sexta me surpreendeu quando publicamente avaliou o elenco atual.
Entre muitas coisas, disse ele que está satisfeito com o time, que apesar de estar na zona do rebaixamento, o Coritiba tem um time bom, capaz de enfrentar qualquer adversário do brasileiro, em condições de igualdade. A sorte, segundo ele, é o que anda determinando esta posição do Coritiba, na classificação.
Pois bem, parece que mais uma vez a sorte não nos ajudou. A afirmação de Pachquinho acabou sendo combustível para alimentar uma artilharia contra ele próprio. Coisa que jamais farei, como disse, em respeito a tudo que ele representa para nós torcedores. Mas preciso dizer que não concordo e a sua hora de sair, deixar o comando técnico chegou. como não posso deixar de cobrar algumas questões.Ou não entendo mais nada, ou perdi completamente o senso de qualidade e não sei mais discernir o bom do ruim, qualidade, ou falta dela, quando o assunto é futebol.
Esta conversa me irrita ainda quando lembro que junto com Pacheco, nesta coletiva estavam experientes jornalistas esportivos que compraram esta conversa. Pior, divulgam como se de fato a vida do Coritiba agora só dependesse de um pouco de sorte para sair desta situação melancólica que se meteu.
Não consigo engolir este discurso otimista. Como se houvessem apenas algumas falhas pontuais, um problema ou outro. Os problemas são de dar nos nervos de qualquer principiante que decida entrar agora e queira tentar entender minimamente de futebol.
Claramente Pacheco faz política. Se segura no cargo e se fecha com a diretoria fazendo o mesmo discurso. Do contrário, se não rezar a cartilha de seus chefes, imagino que seu cargo de treinador estará ameaçado.
As coisas lá dentro são tão previsíveis que é possível saber que de duas coisas, uma pelo menos deve acontecer. Ou anunciam segunda-feira que estão procurando um treinador e para isso levam mais uma ou duas semanas, ou teremos uma medida paliativa que deve ser anunciada para remendar mais uma vez o Departamento de Futebol.
Tentam acalmar a torcida com lista de dispensas, por exemplo. Mas treinador com pulso, que coloque ordem na casa, que resolva a desordem que se instalou lá dentro, ainda não serão capazes de fazer. Tomara, queime minha língua, mas são estas as previsões que faço para os nossos próximos dias.
A semana será de acordar, dar uma bisolhada no noticiário e perceber que nada de concreto terá acontecido e que a vida no Alto da Gloria continua como se nada de anormal estivesse acontecendo. Tudo estará como no dia anterior. E assim passará mais uma semana.
A todo treinador, sempre é bem –vindo um discurso a lá René Simões, que ajude a levantar o moral da “tropa”, com uma conversa motivacional, mas assumir publicamente que tem o time na mão e que trabalha com um elenco de qualidade, não era o que esperava ouvir de Pachequinho. Como não esperava as mexidas erradas que fez nesta partida contra o Botafogo.
A única verdade é que o nível deste brasileiro está mesmo ainda mais baixo que dos anos anteriores, mas este time do Coritiba consegue ser ainda pior, com rendimento abaixo da média do que temos este ano.
Que consiga alguns resultados satisfatórios, com este mesmo time, também consigo admitir, mas está anos luz de Palmeiras, Corinthians, Grêmio, Inter, Atlético Mineiro, Flamengo, até de São Paulo que não anda lá estas coisas, do Cruzeiro de quem vencemos, e ainda temos um time inferior que o da Ponte Preta, Atlético Pr, Chapecoense e com um pouco de boa vontade podemos nos igualar a Vitória, Sport, e esperamos que América, Figueirense, Botafogo e Fluminense, se afundem cada vez mais e ocupem o lugar que a administração Coxa tanto se esforça para recuperar a cada rodada.
Que Deus nos livre deste pensamento pequeno, que cada vez nos tira o que resta da autoestima, e às vezes até consegue jogar no lixo o passado de glórias, de vitórias e títulos.
Afirmações como esta, chegam a ser um desrespeito à inteligência da torcida.
Resultados com os que andamos tendo, já passam do limite. Sem dinheiro, sem time, sem comando diretivo e técnico, caminhamos para um fim melancólico.
Um comando técnico, mas de verdade, talvez seja a única salvação, senhores. É preciso tentar.
Sobre o autor
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.
Sobre o blog
Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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