Doação de almas
Ouço muito tudo isso no futebol de hoje, mas muitas vezes da boca pra fora. Usam porque impressiona, porque são expressões fortes que demonstram doação irrestrita na tentativa de alguma conquista.
Assim como virou moda jogador beijar escudo de clube, assim que assina contrato. Alguns torcedores gostam disso porque parece que o atleta contratado se coloca em condição de igualdade à ele, também como torcedor. Geralmente os atletas são orientados para fazer isso.
Quando Umberto Louzer disse em coletiva que o time daria sua vida e a alma nesta partida contra o Londrina, imaginei no mínimo um time guerreiro, briguento, que pagaria qualquer preço pela vitória.
Não foi o que vi. Pelo contrário, um time limitado como sabemos que é, apenas melhor que os últimos que tivemos nos últimos anos, mas que não fez o suficiente para corresponder ao apoio recebido da torcida, que aliás, coloca o Coritiba entre os clubes de maior público deste brasileiro, inclusive se comparado também com os da Série A.
As 34 mil pessoas que foram ao Couto, provavelmente esperavam mais. Faltou alma, faltou dar a vida, faltou comer a grama. Esta é aliás uma exigência a todos que disputam a Série B.
Quem sabe com uma nova modalidade de treinamento, incorporado à rotina, Louzer consegue ensinar como dar a vida ou jogar com alma.
Assim, quando o treinador anunciar novas doações de almas ou vidas em busca de uma vitória, tenhamos esta expectativa finalmente correspondida.
Ainda quero acreditar que isso é possível. Mas uma coisa é certa, jogando futebol ao natural, não teremos sucesso. Vamos mesmo precisar de muito mais doação de almas, comendo muita grama.
Sobre o autor
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.
Sobre o blog
Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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