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Arquibancada
ArquibancadaSergio Brandão

Da árvore ao guindaste

Demorou, mas parece que a ficha caiu. A imprensa esportiva ainda consegue fazer a leitura da periferia de uma partida de futebol. Ou seja, falar, enaltecer os fatos que acontecem além das quatro linhas.

Com apenas um mau exemplo dado no confronto que fizeram vândalos - que se apresentam como torcedores de Coritiba e Paraná - apesar da torcida única, quebraram o pau pelas ruas da cidade.

Mas outros dois fatos acabaram ganhando mais destaque que a briga e até mais que a própria partida. Dois bons exemplos que merecem mesmo ser lembrados.

A do torcedor do Parana que foi acolhido pela organizada do Coritioba e a família que se revezou num guindaste para assistir a partida. Convenhamos, duas cenas bastante incomuns no futebol, pelo menos por estas bandas de cá.

Se nem Coritiba e Paraná não atraem mais a imprensa nacional - por razões óbvias - as torcidas ainda conseguem algum destaque como nos dois casos que chamaram atenção no Paratiba.

Dois fatos que no minimo deveriam chamar atenção também dos dirigentes que comandam o futebol paranaense.

Mesmo que a decisão de torcida única não tenha partido do Coritiba, foi uma decisão imposta pelas autoridades, ainda é um tema para ser muito bem analisado e repensado.

Outra questão é o valor dos ingressos. Fato que provocou a história da família que assistiu o clássico num guindaste, gastando apenas o dinheiro do estacionamento para abrigar o caminhão que serviu de apoio.

O proprietário do caminhao se declarou torcedor Coxa, mas impossibilitado de levar a família ao estádio, por conta do valor do preço dos ingressos. O guindaste foi a solução encontrada.

Se servir como exemplo, em dia de jogo, logo teremos vários destes caminhões estacionados no entorno do Couto Pereira. Fica a dica.

Meio sem querer, este Paratiba também pode servir como idéia para a tal área mista, hoje muito usada e até comum nas arquibancadas de muitos estádios pelo país, adotada pelos grandes clubes.

Quem sabe assim, não tenhamos um começo de exercício de educação, que muitos torcedores ainda não conseguem ter.

A história do guindaste me lembrou a década de 60, quando assisti algumas partidas pendurado numa árvore que ficava bem na esquina da Amâncio Moro com a Mauá. O segredo era chegar cedo para garantir um bom lugar. Era meio desajeitado, bem desconfortável, mas dali assisti grandes vitórias, grandes partidas. Naquela época valia o sacrifício. Havia apenas o muro do Belfort Duarte como barreira.

Hoje, pedem um preço muito alto pela qualidade do futebol que nos oferecem.

Sobre o autor

Sergio Brandão
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.

Sobre o blog

Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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