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ArquibancadaSergio Brandão

"Coxa cai na tabela"

Tem uma frase, muito em moda entre os jornalistas, que diz: “JORNALISMO É INVESTIGAÇÃO, DENÚNCIA. TODO O RESTO É PUBLICIDADE!”. É mais ou menos isso que encontra motivação no atual estado de coisas que vive o mundo, especialmente o Brasil, tendo a imprensa um papel mais que importante, diria até determinante.

Motivado por isto, é impossível admitir outro papel para a imprensa, que não seja de contribuir, no mínimo dando a informação correta, procurando a maior isenção possível diante de cada fato apurado. Noticiar o fato, apenas e tão somente é o que cabe ao jornalista.

Mas não é o que vemos. Na política, principalmente, temos uma arquibancada de futebol. São jornalistas que vestem a camisa de partidos políticos e usam seus veículos de comunicação para expor suas ideias, seus pontos de vista, suas ideologias. Os formadores de opinião tiram proveito disso e abusam na defesa de seus interesses partidários e interferem muito no destino e rumo das coisas. A informação acaba sendo relegada a segundo plano e por isso ficamos com a opinião e sem a informação.

O ensino no curso de comunicação é muito responsável por isso. Cursos fracos, professores mal preparados, estão formando opiniões e não garimpeiros de noticias.

Compre quem quer, escapa disso quem puder. É preciso ter jogo de cintura para entender e aprender a separar a informação da opinião.

Ainda mais pobre, a imprensa esportiva faz das suas e hoje em dia em níveis que chegam a ser assustadores. Todos os dias é um show de absurdos, como o que ouvi hoje cedo.

Era um resumo da rodada que começou ontem (quarta-feira) e que termina à noite, com Coritiba e Londrina. Dizia o texto do apresentador logo na abertura, como primeira informação: "O Coritiba não é mais líder. Com as vitórias de ontem, de Atlético e Paraná, o Coxa cai para a terceira colocação”. A informação que seria a vitória de cada um, ficou sem força, perdida lá no meio da nota.

Ouvi isso numa rádio que se apresenta como informativa e seriamente comprometida com a notícia. Não quero nem entrar no mérito do torcedor chorão, assumido Coxa- Branca, hoje apenas escrevendo para blog de torcida, e não mais em veículos de comunicação, como em anos anteriores. Sim, porque neste período, sempre preservei a preocupação, de me esconder do fato de ser Coxa, e acho que sempre consegui esta isenção. Cansei de ser chamado de atleticano pela própria torcida do Coritiba, algumas vezes.

É preciso lembrar, que no texto acima, está claro que quem o escreveu, está preocupado com a queda do Coritiba na tabela (nem que seja por algumas horas), se aproveitando do fato da rodada ser disputada em 24 horas - dois dias seguidos.

Má intenção, descompromisso, assumidamente torcedor, com nenhuma preocupação com a notícia que seria a vitória de Atlético e Paraná. O cara que escreveu isso, ainda teve o requinte de esconder a informação no corpo da notícia. Lá no final, mas ainda ironicamente, dizia que o Coritiba tinha a oportunidade de recuperar a liderança, caso vencesse hoje o Londrina. O jornalista (ou não) autor da façanha, abriu mão da informação, para priorizar a torcida dele por um dos dois rivais do Coritiba. Ou simplesmente mostrar sua antipatia pelo Coxa.

Amigos, coluna é uma coisa. Augusto Mafuz, por exemplo, é assumidamente torcedor do Atlético, tendo conquistado um espaço como tal. É polêmico e vende sua imagem desta forma há anos. Alimenta suas colunas assim, colocando sempre gasolina na fogueira, provocando com inteligência suas preferências. Agora, num espaço comprometido com a informação, isso não é possível.

Sobre o autor

Sergio Brandão
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.

Sobre o blog

Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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