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ArquibancadaSergio Brandão

Coxa – Branca como poucos


Há mais ou menos um ano, tive uma lição sobre amor a um clube de futebol. Naquele dia, naquela conversa, aprendi e guardei alguns ensinamentos. Cheguei a escrever o que segue abaixo, mas publiquei apenas no Facebook, e que agora publico aqui, dividindo com vocês. Naquele dia, ficou a lição que este amor independe de clube. Pode ser até pelo Barra do Garças, Penapolense ou o Corinthinha de Presidente Prudente, coisa incondicional mesmo.

Independe de divisão, derrota, vitória, diretoria... O amor que me refiro é tão grande, que faz a gente sentir até vergonha de dizer que também é torcedor. Gente com tanto amor assim, deveria ter um lugar especial no estádio. Agora parece que tem mesmo. Não o vejo mais nos anéis dos fundos do Couto. Soube que anda pelo setor Pro –Tork.

Não é preciso dizer que este cara coleciona camisas diversas do Coritiba. Nem que tanto faz se o Coxa vai jogar contra a Seleção da Espanha ou contra o Rio Branco de Paranaguá. Aliás, contra o Rio Branco é melhor. Tem menos gente no estádio, e assim fica a sensação de dividir a atenção com menos gente. Quanto menos torcedor no estádio, melhor- me disse ele.

Seu sonho é um dia ter seu Coritiba jogando na China, lá do outro lado do mundo, numa pequena província, onde ninguém saiba e ninguém se importe com futebol e muito menos com aquela partida. Ele fará força para estar lá. Só para ver seu time entrar em campo e saudar a torcida que terá apenas ele na arquibancada. Seu time, seu clube, naquele momento, será só dele. Coisa estranha, né? Mas não encontro outra definição a não ser chamar isso de amor incondicional... coisa de maluco mesmo.

Com um amor deste tamanho, dá pra entender quando uma vez ele me disse, numa outra conversa, que não se importaria muito se o Coritiba caísse para a segunda divisão. Estaria lá, prestigiando o time da mesma forma no ano seguinte, independente de divisão. Seu coração parece enorme. Cresce sempre, só para colocar lá dentro o amor pelo Coritiba.


Se um dia sonhou em ser jogador de futebol, isso só seria possível se pudesse jogar pelo Coritiba. Algo quem sabe um pouco maior que o amor pelo Coritiba, declarado pelo ídolo Alex.


Quando um Coxa –branca fala mal do próprio time, apenas ouve, não alimenta a conversa. Quando um adversário faz isso, abre sua "caixinha de argumentos", todos sempre lúcidos e convincentes,(nem que seja apenas para ele). Não se atreve falar mal do Coritiba, não importa a fase, a derrota, a circunstância.

Ricardo Almeida é este coxa-branca que merece placa no memorial do clube. Ele e sua Isabela que está crescendo e todo ano precisa de uma camisa nova para acompanhá-lo ao estádio.

Aliás, Isabela que quando nasceu há quase 7 anos, ainda na maternidade, perdeu o pai por algumas horas para o Coritiba, que precisava dele numa partida decisiva contra o Grêmio. A filha só não foi batizada com o nome do autor do gol da vitória daquela partida, porque era uma menina e o nome Isabela já estava definido, mas não sei se Ricardo não seria capaz de convencer a mãe de Isabela a trocar o nome, caso o filho fosse um menino.

O futebol ainda sobrevive e se alimenta de histórias como esta. Do contrário, acho que já teria tomado outro caminho. Ricardo e seu amor pelo Coritiba, faz valer a pena e compensa tudo que cartolas, o mercado da bola e a qualidade do futebol jogado, andam fazendo para afastar a gente dos estádios.

Costumo dizer que ninguém é mais torcedor que ninguém, mas este não é o caso do meu amigo Ricardo Almeida, que não vejo há muito tempo, mas tenho me recordado muito das nossas conversas passionais sobre o Coritiba. Tenho pensado quanto anda lhe judiando este Coritiba, mas que também às vezes lhe dá uma alegria, só para alimentar este amor que só cresce.

Sobre o autor

Sergio Brandão
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.

Sobre o blog

Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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