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Arquibancada
ArquibancadaSergio Brandão

Com os pés bem no chão

Ando muito exigente. Comigo e com o Coritiba. Já ensaiei alguns textos mas jogo fora. Procuro algo que defina melhor este time que nos dão para torcer. Não acho classificação para definir ele. Mas gosto, pelo menos é o que temos de melhor nos últimos anos e acredito que com ele subimos, mas é aí que mora a exigência. Quero um time campeão desta Série B, que promete emoções até o final. Não o time, a Série B promete ser pegada até o fim.


Saímos recentemente de uma Série A de nível técnico bastante discutível e dela saímos pela porta dos fundos, com o rabo entre as pernas. Estamos numa Série B também com qualidade discutível, mas de característica impressionantemente nunca vista. Desta vez muito igual de ponta a ponta. Com exceção dos últimos colocados, da décima primeira posição, todos com chances de brigar por uma das quatro vagas de acesso à Série A. O primeiro turno está terminando e dos vinte clubes, pelos menos onze podem facilmente se colocar como candidatos ao acesso.


Lideramos esta lista, pelo menos até agora. Talvez o Coritiba seja o único clube com regularidade desde que a bola começou a rolar nesta segundona (tem quem não gosta desta expressão). Com algumas alternâncias, mas quando não esteve entre os quatro primeiros, sempre se apresentou no primeiro pelotão como candidato a uma das quatro vagas.


A minha exigência vai de tudo que vivemos até aqui nestes mais de 50 anos de arquibancada que tenho. Somos mal acostumados e não nos contentamos com pouco. Até agora, mesmo na liderança do campeonato, é fácil encontrar entre nós, uma maioria, (talvez seja exagero dizer isso), mas que ainda está insatisfeita com a falta de qualidade. Sim uma maioria. O restante, a minoria embarca no espírito do torcedor e admite este time limitado, porque quer ver o Coritiba de volta à Série A. E isso a gente sabe que com esta qualidade é possível subir, sim. Impensável admitir o contrário.


Me junto a turma que quer o tri da Série B. Tudo bem que é um título de menor valor, mas alivia um pouco o sentimento de terminar em primeiro, ser campeão de um grupo de relegados e que entre nós estão patrimônios do futebol brasileiro, como Botafogo, Vasco e Cruzeiro, mas também Brasil de Pelotas, Confiança, CSA e até Londrina e Operário, nossos adversários psicológicos há anos.


O perde e ganha dos outros é o que nos dá a confiança de estar em melhores condições que os outros 19 times não conseguem ter, mas desconfiados que somos, já há anos aprendemos a exercitar o sentimento da desconfiança, por isso uma coisa de cada vez, rodada a rodada, uma partida depois a outra.


O fato é que exigimos há anos uma constância, uma regularidade que não chega. Uma segurança necessária para finalmente confiar e ter um time a altura do que sempre tivemos, embora as últimas gerações não tenham visto nada disso. Torcem motivados pela herança deixada por pais e avós. Se alimentam das histórias que agora precisam dar lugar a um novo Coritiba, que nos parecia ter chagado com Follador. Acho que chegou, mesmo com a morte do presidente.


Primeiro é preciso admitir um time com as limitações que temos. E isso parece bem oportuno, porque os outros também vivem os mesmos problemas -por sorte- entre eles os grandes.


Mais que futebol, neste momento o Coritiba precisa de seriedade administrativa e os pés bem fincados no chão. Agora, bom senso e inteligência talvez importem mais que futebol. Porque no nosso caso, uma coisa pode ser consequência da outra.

Sobre o autor

Sergio Brandão
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.

Sobre o blog

Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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