Atletiba de vida ou morte
Sem levar em cota que será mais uma vitória dentro da casa deles. O que convenhamos, não tem sido tão difícil como pregaram durante anos. Não há efeito “caldeirão” e nem gramado sintético que impeçam uma vitória. Nem torcida e nem grama de plástico ganham clássico e isso já esta mais do que provado. Mas por outro lado, sabemos que a bola deles anda mais redonda que a nossa e isso sim é mais importante que tudo neste momento e deveria ser a maior preocupação nesta semana de preparação.
Na média, das conversas que tenho tido com quem vive ou viveu de futebol, com amigos que circularam profissionalmente pelo meio, a justificativa pelo péssimo futebol jogado pelo Coritiba, é a falta de confiança. Entre tantos problemas que temos dentro do elenco, sem entrar no mérito da qualidade em muitos setores do time, segundo alguns entendidos, readquirindo a confiança, podemos voltar a sonhar com mais sossego nas rodadas seguintes. Não sou eu que digo isso, como já disse acima, é apenas minha conclusão das conversas que tenho tido com quem viveu ou vive do futebol.
Se você me perguntar o que acho disso tudo, digo que se perder este clássico, estamos decididamente com os dois pés na segundona de 2018. Há muito tempo um atletiba não era tão decisivo para a vida dos dois dentro de uma competição nacional. Se der Coritiba, além da vitória e os três pontos, ainda leva pra casa o efeito psicológico de ter vencido um clássico, não sendo considerado favorito. O Coritiba pode renascer em caso de vitória. Se der CAP, retomam o caminho do grupo da Libertadores. Um empate não mata, mas também não ajuda ninguém.
Ao Coritiba além de toda a dificuldade, agora entra numa fase cruel da competição que é ter que arrancar fora de casa os pontos que perdeu dentro do Couto. Por tanto, na pior das hipóteses, vai ter que jogar futebol, finalmente. Vai ter que arrumar um caminho diferente do trilhado até aqui. Precisa virar a chave, se ainda sonha em convencer o torcedor que ainda é possível ter um final de ano mais tranquilo.
Com os mesmos amigos que tenho conversado, também fica claro, (de alguns a gente tira das entrelinhas) que a pegada, sangue nos olhos, cobrança, dignidade, e principalmente indignação com a derrota, podem dar novos rumos ao Coritiba.
Wilson ficou sozinho neste papel por um bom tempo. Quem sabe agora, com a volta de Kleber, que não gosta de perder e já sabe o que é um clássico, o Coritiba volte a ter este espírito movendo os onze chamados para vestir o manto sagrado, e isto finalmente leve o time à vitória no próximo domingo.
São os ingredientes de um atletiba atípico, de vida ou morte, para o Coritiba. Se entrarem em campo pensando assim, já teremos um bom caminho andado.
Sobre o autor
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.
Sobre o blog
Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
Ver comentários (48)
