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ArquibancadaSergio Brandão

Aceite que dói menos

A terceira posição a uma rodada do final da primeira fase, pra mim é mais que um sinal que as coisas caminham muito mal. Entendo a paciência, entendo o envolvimento passional, mas prefiro fincar os dois pés no chão e esperar por um tropeço logo ali na frente. Não sei se contra o Humaitá... só sei que está logo ali.

Oras, se tropeçamos em todas as rodadas do paranaense, sem sequer jogar uma partida com um futebol convincente, porque acreditar que agora a coisa vai? Até porque, se o Humaitá não põe medo em ninguém, não acredito que seja melhor ou menos ruim que Rio Branco, Londrina, Azuris, Sãojoseense, Aruko, Maringá e FC Cascavel, só pra dar alguns exemplos. Se tivemos muita dificuldade com estes adversários, o que te faz acreditar que contra o Humaitá será diferente?

Respeito e até faz algum sentido o entendimento de muitos de vocês, achando que agora será diferente, mas não acredito nisso. Se passar pelo Humaitá, coisa que não será difícil- porque é fato que temos um time melhor, o Coritiba deve tropeçar logo mais adiante na Copa do Brasil. Por alguma razão este elenco, o melhor montado nos últimos anos, não se acerta, ainda não consegui um padrão de jogo, não tem uma cara com assinatura técnica/tática.

Nossa classificação no regional diz muito mais do que qualquer coisa que eu consiga argumentar por aqui. É a terceira colocação, dividida com o Operário, o melhor do interior até aqui. O resto é time abaixo disso, com os quais tivemos dificuldades para vencer em TODAS as partidas. Sem olhar mais adiante e ver que são seis pontos a nossa distância para a liderança.

Não é uma crítica direta a dirigentes, que sei, ainda trabalham para montar uma estrutura profissional.

O problema está na expectativa que criamos com algumas contratações. Pelo menos eu achei que crescemos, mudamos de patamar, mas que por enquanto não é o que estamos vendo.

Sigo sonhando com a expectativa com o que escrevi aqui no começo do ano: “um ano sem sustos”, tema que carreguei aqui até a 7ª rodada, meu limite com a qualidade deste time que até agora, na décima rodada, ainda não veio.

Quem sabe consiga entender que a partir dos fracassos que devem se seguir, meus sonhos precisem ser projetados para o Brasileirão, mas com outro time, com raras exceções que devem ser mantidas do atual elenco.

Gostaria de estar enganado, mas acho que aceitar esta situação, talvez a dor seja menor.

Sobre o autor

Sergio Brandão
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.

Sobre o blog

Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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