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Arquibancada
ArquibancadaSergio Brandão

A irritante ladainha!

Não há nada mais irritante aos olhos do torcedor depois de uma série de derrotas, ouvir de um jogador “ precisamos descansar, trabalhar, corrigir os erros e melhorar " !

Depois de anos trabalhando, corrigindo e carregando nas costas uma sucessão de derrotas, a ladainha irrita e afasta, subestima a inteligência do torcedor.

A cada recém-contratado, deveria ser apresentada uma cartilha de frases proibidas. As que exemplifico acima, são as principais. Uma cartilha a cada um dos grupos que se formam, reinventados por diretores executivos, comissão técnica a afins, algumas vezes durante uma só temporada, é uma ideia. Porque o recém-chegado não dimensiona o tamanho da irritação do torcedor com esta conversa de “trabalho, descanso” - promessa de dias melhores. Zeca, nosso lateral, disse quase tudo isso depois da derrota para o Goiás (mais uma, depois de semanas de trabalho e descanso), com nenhum resultado que coloque o Coritiba no lugar onde a torcida espera. Mas isso não é tudo e nem de longe nosso maior problema.

O ciclo absurdo de séries de derrotas, com injustificáveis partidas de doer na alma, surtem efeitos num relacionamento clube/torcida, que passa do esgotamento. As palavras vazias, discursos repetidos para justificar novo insucesso só servem como cereja do bolo do fracasso.

Ficam os incondicionais torcedores, os amores construídos ainda na memória que teima não se apagar. Na história que irrita a nova geração que nada viu e nada ganhou.

O Coritiba sobrevive nos corações dos que fazem a sua casa o seu estádio, quando em dia de jogo, prevalece a única alegria que é estar no Couto Pereira. O templo das histórias alviverdes e, para muitos, isso basta. Mas a unanimidade sabe que logo ali está a nova rotina de memórias frustrantes. Assim, sucessivamente, há anos em seguido e dolorido calvário.

O programa de “hoje é dia de jogo no Couto”, tem sido o reencontro de um amor não correspondido.

Só o milagre explica competência onde não há competência. Onde no próximo passo o milagre se desfaz, trazendo nova frustração de cura definitiva do paciente... a cura desaparece e o doente padece.

Seguimos em Oração!

Sobre o autor

Sergio Brandão
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.

Sobre o blog

Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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