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ArquibancadaSergio Brandão

A cereja do bolo

Não basta ser rebaixado. Precisa haver um drama em volta de toda a história da partida que, se não rebaixa definitivamente, elimina toda a moral da tropa, de atletas e torcida.

Não podia ser mais desastrosa e tão inusitada a já admitida queda do Coritiba. Por tudo que fez e anda fazendo nos últimos anos, não poderia ser mesmo diferente do que foi, mas ainda dói porque além do rebaixamento, judia pelos requintes do entorno.

Os detalhes dizem isso. Sair na frente do placar com gol de Ricardo Oliveira, poderia ser o sinal de que "agora a coisa vai", mas o gol contra de Nathan Silva, mostrou que ainda era o Coritiba de sempre, colocando água na fervura, tirando qualquer motivação que pudesse haver.

Minutos depois, o gol da virada que colocaria em campo definitivamente aquele Coritiba de sempre, no seu devido lugar, sem mais sofrimentos, apagando qualquer esperança que pudesse haver.

Vem a segunda etapa da partida e se alguém ainda esperava que o defunto retornasse à vida, veio o terceiro gol do Fortaleza pra não deixar dúvidas e definir o placar, mas não a partida, porque mais emoções estavam reservadas para o fim.

O grande algoz que durante todo o campeonato incomodou muita gente e muitos times, tinha um presente de despedida reservado ao Coritiba. A cereja do bolo.

O VAR vê pênalti (que na verdade naquela altura, já não fazia mais nenhuma diferença) e dá a Wilson - o único nome do time, digno de respeito nestes últimos anos - a oportunidade de sair de campo e não ver o final, com a tampa ser colocada no caixão.

Sarrafiori, o homem que veio para ajudar a criar na meia cancha, é o cara designado a impedir o quarto gol do Fortaleza. O gringo cumpre sua missão com qualidade, defendendo o quarto gol, evitando uma goleada. Coisas do futebol ou exclusivas do Coritiba?

Um desfecho de novela mexicana. Assim como foi e tem sido o Coritiba ultimamente. Uma despedida, se não foi ainda do campeonato, pelo menos das últimas esperanças de permanecer na primeira divisão.

Ainda dói e por alguns dias será difícil ir além do enorme sentimento de frustração, mesmo que este final já tenha sido anunciado há muito tempo.

Assim que nos recobrarmos de mais esta frustração, quem sabe seja possível juntar os cacos e pensar em retomada, mesmo porque ainda temos motivos para acreditar em dias melhores com a nova administração,ainda que esteja claro que será outra jornada longa e difícil, mas é o que temos para o momento.

Sobre o autor

Sergio Brandão
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.

Sobre o blog

Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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