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ArquibancadaSergio Brandão

Vilsão de pires na mão

Quando já me dava por vencido e desacreditado com o futebol, quando nem seleção brasileira e nem o meu Coritiba ajudam - pelo contrário - me colocam na bandeja um cardápio bem indigesto, revejo um futebol moleque, alegre e de muitos gols com uma seleção que não acreditava mais. Principalmente porque não acho que Dunga seja o treinador certo. Mas devo admitir, claro, é o começo, mas um belo recomeço pra quem saiu escorraçado da Copa. Ainda faço muitas reservas a Dunga, mas como futebol é resultado, isso ele tem conseguido e aos poucos vai me convencendo.

Na verdade me chama atenção as variações de formação propostas durante os amistosos que fez, especialmente como armou o time neste amistoso com o Japão. Conseguiu um estranho 4-2-3 1 em alguns momentos e com sucesso.

Quatro amistosos, quatro vitórias, nenhum gol sofrido. Se futebol é resultado, Dunga larga bem. Aliás, é nisso que precisa se apoiar o gaúcho falastrão encrenqueiro e de língua solta. Todos estes seus defeitos, serão menores diante de bons resultados e enquanto a seleção for convincente. O jogo de hoje, entre Brasil e Japão, me ajudou a recuperar um pouco da alegria que sempre senti em ver um futebol bem jogado.

É disso que precisamos no Coritiba: resultados convincentes para ganhar um pouco de calma, mas infelizmente a nossa realidade é bem outra e muito dolorida.

A semana se arrasta para mais sete dias sem que a diretoria acerte sua pendenga com os jogadores. O presidente Vilson mais uma vez tenta com a Rede Globo o adiantamento de dinheiro para quitar sua dívida de salários com os atletas. Se a Globo mais uma vez disser não, Vilsão parece não ter outra saída que seja simplesmente não pagar os jogadores. O silêncio do presidente não nos permite avaliar melhor o problema. Jogamos apenas com suposições, mas tudo indica que não há um plano “B”, salvador.

Sem jogo no meio da semana pelo brasileiro, a semana que deveria ser aproveitada para tentar baixar a poeira e priorizar algumas questões, principalmente de relação entre diretoria e departamento de futebol, não é o que se vê.

Não é de hoje que se fala em atraso de salários, mas não se fala e nem se têm notícias sobre a solução deste problema há tempos também. Porque apenas hoje o anúncio de bater na porta de quem já lhe disse não uma vez, se os salários estão atrasados há 3 meses? Porque esperar três meses para tentar uma solução?

Em meus muitos anos de futebol, ainda não tinha visto comportamento igual. Descaso é o termo a ser empregado nesta desastrosa relação entre diretoria, atletas e torcida.

Dois mundos vivem de bastidores: o da política e do futebol. O da política aparece apenas de quatro em quatro anos. O do futebol é mais dinâmico. Precisa de resultados para que os fatos de bastidores não sejam tão evidentes e atrapalhem. Se houver resultado, a torcida também pode ajudar fazendo de conta que não vê os problemas internos. O Coritiba tem problemas demais, e pior, com nenhuma solução à vista.

Com mais um não da Rede Globo, estaremos entregues à própria sorte.
Sempre disse que meu time é mais importante que Seleção Brasileira, mas hoje, pra não perder o tesão pelo futebol, prefiro deixar na memória os 4x0 em cima do Japão.

Sobre o autor

Sergio Brandão
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.

Sobre o blog

Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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