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ArquibancadaSergio Brandão

“Vamos suar sangue”!

Cada um do seu jeito, mas todos somos Coxa, e acredito que muito mais agora, porque o adversário é o maior deles, aquele que no dia do trabalho, trabalhou e foi gratificado pelo empenho, mas que no dia das mães se comportará como tal.

Tenho tudo para ainda continuar acreditando que é possível superar limitações, adversidades, problemas de ordem técnica e tática. O próprio futebol conta histórias iguais, até mais impossíveis que esta, algumas inacreditáveis.

Meu sonho de um milagre ganhou novos ingredientes nestes dois últimos dias. A torcida que imaginei não acreditar mais, parece ter superado o susto e voltou a sonhar com o mesmo milagre. A fila para venda de ingressos, no dia de ontem me disse isso. Sinal de que teremos um público maior do que imaginei de início.

Este será o combustível que sempre fez a máquina funcionar, mesmo quando não havia motivo para acreditar. É verdade que muitas vezes não deu, mas o amor mais uma vez parece falar mais alto e a torcida alviverde volta a acreditar. Agora muito mais porque o adversário é quem é, e alguns outros fatores como a qualidade do futebol que até aqui mostrou ser melhor que o do oponente.

Este time entra em campo no domingo, em busca do que é seu. Nada além disso. O Coritiba é merecedor deste título, se levarmos em conta a campanha feita até aqui: pontos, defesa, gols, artilharia, todos os números estão a favor.

Sei que numa final como esta, nada disso conta mais, especialmente como agora, numa decisão contra um histórico rival. Lembro dos números apenas para confirmar o que digo acima: O Coritiba vai atrás do que é seu. Por merecimento e porque estes números dizem que tem um time melhor. Mesmo que o Atlético tenha também conseguido agregar mais alguns pontos positivos desde que começou o campeonato nesta fase do mata-mata. Aliás, acordaram depois dos 0x2 na Arena, ainda na fase de classificação, mas com alguns tropeços no meio do caminho, como mais um vice, desta vez na liga, contra o Fluminense. Por estes altos e baixos, tenho certeza que não farão a mesma partida de domingo passado, onde saíram vitoriosos muito mais por erros do Coritiba do que por mérito próprio.

Tenho mais um motivo que me faz acreditar no milagre. Um fato que aconteceu no final da tarde de ontem.

Sabe quando os olhos falam mais que a boca? Foi o que vi em Carlinhos, este piauiense, de 29 anos, há quase 4 anos no Coritiba, com mais de 100 partidas disputadas pelo verdão.

Carlinhos tem um filho na mesma escola que minha filha estuda. Sempre o vejo por lá. Nunca conversamos, nunca tietei o nosso lateral. E olha que tive muitas oportunidades para isso. Ontem não resisti. Cheguei nele e batendo em suas costas disse: “Carlinhos, eu acredito! Mas a coisa só vai funcionar se vocês também acreditarem”! O baixinho me olho nos olhos, bem no fundo, e com um brilho diferente, daqueles que os olhos falam muito mais que qualquer palavra, respondeu, bem firme: “Nós acreditamos”, como se estivesse indignado até com minha cobrança. como se eles (jogadores) fossem os primeiros a acreditar neste sonho. Como se eu estivesse dizendo o óbvio.

Até aqui, tratei esta situação como milagre. Com a postura firme de Carlinhos, comecei a achar que este mantra “vamos suar sangue”, já pegou e a virada é provável, sim.

Que assim seja!

Sobre o autor

Sergio Brandão
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.

Sobre o blog

Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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