Um grande goleiro...
No Coritiba não. Pelo contrário, aqui se faz o caminho inverso. Começa com um grande goleiro, mas há anos sem um grande time. Em muitos momentos sendo tão estranho e diferente que só tem goleiro. Como pode um time jogar só com goleiro? Só no Coritiba. Não é o caso agora, onde apareceram uns serviçais que até podem ajudar o goleiro, mas ainda é mesmo muito pouco. Wilson ainda é uma estrela solitária.
No Coritiba as coisas são mesmo estranhas e quem sabe a partir deste fato, talvez seja uma boa proposta reconceituar o futebol a partir de Wilson.
Lembro que há alguns meses, uns malucos propunham estátua para o nosso goleiro. Achava um exagero. Agora já começo a achar que estavam certos.
Evidente que ainda é cedo pra falar disso, mas no mínimo este cara merece uma página dedicada aos seus feitos na história recente e turbulenta nestes anos que viveu do futebol em terras dos pinheirais.
E esta história é tão maluca, que mesmo tendo um ano cheio de trabalho, como foi 2017, podia ter saído no final do ano e ido embora, cuidar da sua vida, ganhando uns petrodólares e ter mais sossego nos seus dias seguintes de profissional do futebol. Mas não, preferiu ficar. Pra fazer mais ainda pelo clube onde já parece ser mais torcedor do que um profissional contratado para o trabalho.
Wilson segue operando seus milagres e salvando o Coritiba de vexames piores, dentro de casa, como nesta noite contra o Criciúma.
Lugar comum para designar alguns mitos do futebol, principalmente quando a posição é de goleiro, mas cabe bem chama-lo de São Wilson, ou como preferirem.
A vida do goleiro é tão ingrata que na partida seguinte, seus feitos são esquecidos... a bola precisa rolar, porque rodada passada é rodada jogada e vencida ou não, importa o jogo seguinte e na vida do profissional de futebol é preciso vencer a próxima batalha.
O que temos visto no Coritiba, são duas partidas a cada rodada. Uma jogada pelos onze (ou 10), a outra e que merece um capítulo à parte, a que Wilson tem feito. Às vezes em dois ou três lances, e no seguinte a gente chega a pensar que desta vez ele será vencido. Mas não. Em alguns casos, nem revendo o lance em vídeo é possível acreditar no que este rapaz anda pegando.
Se jogador de futebol reclama dos excessos de jogos e treinos, para o goleiro a vida é mais ingrata ainda. Porque seu serviço aparece bem menos que o do jogador de linha. Muitas vezes um erro é fatal. De nada terá valido três ou quatro defesas, se entre elas houver um frango.
Toda a história de Wilson quase se foi com dois ou três gols que levou, também em momentos importantes na história recente do clube, como na última rodada do brasileiro, ano passado em Chapecó, por exemplo.
Na semana que o futebol comemorou o “Dia do goleiro”, Wilson merecia uma posição de destaque na homenagem que o Coritiba fez à posição. Sim foram vários que vestiram a número 1, igualmente merecedores de homenagem. Reis, Joel Mendes, Célio, Manga, Jairo, Rafael, Mazaropi.
Fico aqui pensando se Wilson estivesse entre aqueles times vencedores, como o último que tivemos em 1989. Ou disputando posição com os grandes Jairo, Célio Rafael e Manga, nas décadas de 60 e 70. Teríamos uma seleção e aí sim, fazendo valer a máxima de que um grande time começa com um grande goleiro.
Você merece um time melhor, Wilson. É o mínimo que o Coritiba poderia fazer por você. Já seria um pagamento por tudo que você tem feito pelo clube.
Sobre o autor
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.
Sobre o blog
Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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