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Arquibancada
ArquibancadaSergio Brandão

Torcida azeda

Fui pro Couto com o espírito de treino, como merecia ser tratado o jogo contra o Avaí. Lá decidi dividir a atenção: “um olho no gato e outro no peixe”.

Torcida e o time em campo dividiram minha atenção. Em campo foi tudo que já leram ou viram. Um jogo fácil, bate bola de compadres, jogo de firma de final de ano, mas lá dentro era a camisa do Coritiba contra a do Avaí, e por isso o jogo teve alguns momentos de disputa mais acirrada. Foi quando percebi que também estava em campo uma gana enorme daqueles 22 atletas. Recebiam uma oportunidade que até então não tinham tido e que provavelmente não terão tão cedo. Depois dos 15 minutos iniciais, a partida ganhou ares de competição, mas ainda sem brilho, e assim foi até o fim.

Do lado de cá, na arquibancada, alguns grupos que passo a chamar de a “turma do limão”. Gente que antes de ir pro estádio passa na feira e compra uma meia dúzia de limão e vai chupando durante o jogo. Quando tudo já está azedo, principalmente a visão da vida, passam pra segunda parte que são os comentários. Aí, ninguém segura. Tudo tá mal. O time é ruim, este tal de Dodô é muito ruim, o goleiro nem tocou na bola, por isso não dá pra avaliar, o Leandro é enganação, Vinicius é outro que também não serve, Icaro só sabe cabecear... e por aí foram as avaliações que ouvi.

Sem passar na feira e levar limão ao estádio, e com este time pra lá de azedo, também no meu conceito - aliás há anos - também concordo com a nossa pequenez, com as limitações internas e de campo do nosso clube e time. Mas consigo admitir que era um jogo treino contra um limitado Avaí. Não esperava mesmo nada melhor do que vi. Não temos e não fui atrás de um Coritiba com Tostão, Alex, Rafinha, Chicão, Índio, Carlos Alberto, Osvaldo e Serginho.

Leandro, Vinicius e Benitez foram as gratas surpresas da noite de ontem. Dodô ainda precisa de mais rodagem e deve se manter entre o grupo principal para ganhar experiência. Mais adiante vai servir, sim.

Como disse a um grupo de amigos, são atletas que podem nos ajudar na temporada dentro do conceito de elenco. Nesta progressão, Leandro pode ser um bom reserva de Kleber. Ou vice versa - se Kleber continuar nesta rotina de jogar duas e ficar fora quatro rodadas.

O time é limitado e ainda tenta se corrigir. Também faço minhas reservas a Kleina no comando, não estou entre os que aplaudiram sua vinda, aliás, me coloco entre os que pediram sua cabeça na derrota contra o PSTC e esquentaria ainda mais este desejo se não tivesse convencido no clássico contra o Paraná.

Gente , este é o Coritiba que temos para o momento. Ame-o ou deixe-o! Não precisa aplaudir e se iludir em vitórias como a de ontem.

Aproveito o descompromisso de uma partida destas e me divirto. Não levo limão para todos os jogos. Experimente o mesmo. Não espere nada além do que o este time pode lhe oferecer, especialmente quando é um treino, como o de ontem.

Mais na frente, quando tiver que ser cobrado, aí sim... vamos cobrar. Se deixar proliferar a turma do limão, vamos acabar ficando mais azedos do que já somos.

Sobre o autor

Sergio Brandão
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.

Sobre o blog

Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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