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ArquibancadaSergio Brandão

Teve jogo?

Ué, você ainda está aí, o Coxa não joga hoje? – me perguntou minha mulher assim que chegou em casa, nesta quarta-feira. – É, hoje não vou! – respondi. Nem na tevê quis acompanhar. Foi decisão pensada. No fundo sabia que hoje seria diferente do que vinha sendo. No fundo tinha a intuição que nossas forças - todas elas- Couto, torcida e atletas, não seriam suficientes para fazer melhor do que o time anda fazendo. Também não gosto de acompanhar jogo do Coxa pelo rádio, fora do estádio. Me faz sofrer demais. Não gosto da gritaria, quando não estou vendo. Rádio só no campo. Fiz a opção do resultado online, pela internet. É pouco, sem muito conteúdo, mas pelo menos me dá o resultado do jogo, coisa que me satisfaz neste momento. O fato é que este time anda me fazendo sofrer demais e hoje resolvi me dar uma folga dele.

Às 7 e meia sentei no micro e enquanto fazia meus textos que são narrados e vão ao ar em alguns sites e numa emissora de rádio, fui acompanhando o resultado do jogo.

No gol da Ponte, respirei fundo e em pensamento fui até o Couto. Me vi sentado no lugar de sempre e imaginei o silêncio sepulcral, o início do sofrimento que anda nos acompanhado há anos. O gol de empate, pouco antes do fim do primeiro tempo, me arrancou um leve sorriso. Lembrei dos críticos de W. Paulista, inclusive eu. Tinha que ser ele, não podia ser o Rafhael Lucas? – pensei.

Mesmo assim, o empate em casa seria um péssimo resultado. Nas condições em que estamos, situação quase irreversível, precisando vencer fora de casa, principalmente se tratando de um time certinho como o da Ponte, que em casa deve jogar completa.
Volto aos meus textos e fico resistindo buscar novas informações sobre o jogo. Temo pelo pior.

Duas ou três vezes dou umas espiadas e vou esfriando meu interesse. Uma melancolia enorme toma conta e fico imaginando que o resultado apenas confirma minhas expectativas. Seria mesmo o prenúncio de dias piores. Preferi deixar para ver o resultado final.

Não consigo tirar o jogo da cabeça. Num crescente, o som da transamérica, na narração de Jacir de Oliveira, me parecia anunciar algo. Ainda mais alto, o som fica claro e finalmente identifico a narração e o gol do Coxa. Meu vizinho grita junto. Lembro que descobri que também é Coxa na vitória no Olímpico, ano passado, pelo Brasileiro. Naquela oportunidade, também fez o mesmo: levanta o volume do rádio e grita junto. Pelo que percebi desta vez, gosta de ver na tv, ouvindo pelo rádio. Puxo minha página na internet que segundos mais tarde também anuncia o gol da virada. Em letras garrafais : Goooooooooooooooollllllllll, do Coritibaaaa !!!!! Giiivaaaaaa !!!!

Outro que como W. Paulista ainda não tinha dito a que veio. Pelo menos foi assim desde que chegou. Aliás, ninguém ainda me explicou direito o que houve com Giva, que chegou e não tinha se apresentado. Se bobear, encontraria com ele na rua e não saberia de quem se trata.

W. Paulista e Giva, dois nomes, dois gols para fazer pensar. Que não seja pra pensar, que seja só para comemorar, afinal nos dá a vantagem para a segunda partida. É verdade que com o gol tomado em casa, deixa a Ponte na confortável posição de ter que vencer em casa por pelo menos um a zero.
Pelo que leio e ouço, não foi uma partida brilhante, mas fez o mínimo para vencer pelo placar que venceu.

Diante destas circunstâncias nada otimistas, mesmo com a vitória, ainda faço parte do time dos otimistas. Sempre prefiro achar que agora a coisa vai. Agora ganha a moral que precisava e vamos encontrar alguma coisa parecida com futebol, escondida dentro desta turma que no mínimo precisa entender que o Coxa não tem uma torcida exigente, ela é mal acostumada. Entendendo isso, já teremos meio caminho andado. No gramado, isso pode resultar em raça. É do que vamos precisar na partida de volta, em Campinas. Com ela, voltamos com a classificação pra casa.

Sobre o autor

Sergio Brandão
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.

Sobre o blog

Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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