Só sai... ninguém chega!
Tá certo que Guilherme Parede não é um fora de série e como ele existem muitos por aí. Também acho que apenas é mais uma daquelas crias da casa, que neste caso, chamou atenção porque o grupo a que pertenceu era muito fraco. Provavelmente é o que espera por Guilherme Parede no Internacional: um banco como muitos que deixaram o Coritiba em troca de outros clubes grandes, mas que não passaram da condição de reserva de luxo, mas com o bolso cheio, para começar a pensar no futuro. É o que imagino levarem em conta, como primeira prioridade.
Cansei de ver neste último brasileiro, bancos de fazer inveja, que aqui seriam titulares absolutos e que cairiam como solução, desfilando pela cidade como verdadeiros ídolos.
Muitos lamentam, outros não. Parede com seus poucos gols durante o ano, foi uma exceção em um grupo que fez história no clube, mas negativamente. Por ser um grupo fraco, Parede se sobressaiu.
Disse seu empresário em entrevista, que a proposta oferecida pelo Inter foi irrecusável. “Com tanto dinheiro assim, seria difícil segurar o jogador no Coritiba”, completou o empresário do jogador.
Fico aqui pensando: o que é muito dinheiro para os padrões de Parede e do Coritiba? Certamente não deve ser muito para a média nacional, aliás, deve ser bem abaixo. Mas para os padrões do Coritiba, com certeza é muito dinheiro. Qualquer duzentão tira jogador do Coxa. Até a Chapecoense anda de olho em Wilson e não duvido que seja o próximo a nos deixar.
Estas negociações que não alcançamos mais, que tratam de valores que nosso bolso não banca, apenas nos colocam na nossa real condição de vira-latas, expressão de Nelson Rodrigues e que tenho usado até com alguma frequência por aqui, para classificar a nossa pobreza franciscana, que nossos dirigentes nos meteram. Logo estaremos negociando atleta por cacho de bananas - leva quem quiser.
Guilherme Parede não vai fazer falta? Acho que sim. Salvou o Coritiba ao lado de Wilson, em partidas pobres tecnicamente, mas justamente pela pobreza técnica, tendo mais qualidade que os outros, fez a diferença que agora vai fazer falta. Principalmente neste começo de ano, quando novamente teremos adversários muito fracos, no Regional e na Copa do Brasil.
O receio pelo que vem por aí, cresce cada a cada dia. Sem noticias de contratações, o silêncio mais parece estratégia para não causar impacto negativo. Seja lá qual for a qualidade do que trarão para este começo de temporada, já começam errado. Porque já sabemos que a mesma formula usada no começo de 2018, que não funcionou, pode naufragar no começo de 2019, e que mais uma vez privilegia a aposta na sorte.
Quando as duas competições, Regional e Copa do Brasil já tiverem naufragado, (Deus queira que não), aí sairão atrás de reforços para as diversas posições, mas com o mercado fechado e sem movimento de onde ninguém mais sai de onde está. Porque não temos dinheiro para bancar como Inter, e mais uma vez Samir e sua turma devem apelar para o tapa-buraco que conhecemos bem, com Pablos, Brunos, Abners, Belussos e cia.
Por isso, Parede vai fazer falta, sim.
Sobre o autor
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.
Sobre o blog
Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
Ver comentários (23)
