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ArquibancadaSergio Brandão

Simples assim...

Algumas questões me parecem cruciais para o grande jogo de domingo. Coisas que imagino que determinem o que sonha, deseja e acredita a maioria da torcida do Coritiba.

A primeira delas seria a volta de Ceará, Lucas Claro, Dudu e Juan. Sem eles o time provavelmente terá as mesmas deficiências e dificuldades que teve na primeira partida da decisão. Isso me parece ser aliás a questão principal, para que continuemos acreditando em milagre. Se Kleina tinha uma qualidade, era não ter mexido num time que estava funcionando, se acertando. Por necessidade, e justamente na final, precisou mexer. Deu no que deu.

Segunda questão: me parece que jogar com mais um atacante de ofício, ao lado de Kleber é uma necessidade. Pode ser Leandro ou até Ortega. Se for Ortega, seria muito mais uma aposta na estrela do famoso gol que fez no Atlético na libertadores. Poderia funcionar como um talismã, nem que seja por um tempo do jogo. Seria uma espécie de Geraldo dos atletibas. Isso pode parecer absurdo, mas acho que se apegar a estas coisas, neste momento, nunca é demais. Pelo menos sempre funcionaram em clássicos com o Atlético. O fator psicológico deve ser uma questão a se levar em conta. Tudo deve ser visto. Principalmente agora que temos tudo contra, principalmente o placar.

A terceira questão é armar o time de forma que imponha uma pressão insuportável, tentando a qualquer preço marcar o primeiro gol antes dos primeiros 15 minutos. Isso pode servir como combustível para incendiar a partida. Aí, quem sabe esteja a grande prova de fogo de Gilson Kleina e Pachequinho. Como armar o time assim? Quero acreditar que eles sabem como fazer!

Uma quarta questão diz respeito a diretoria e torcida. Primeiro parece claro que a derrota na primeira partida, e da forma como foi, vai deixar grande parte da torcida Coxa em casa. Se antes a previsão inicial era para um público de mais de 30 mil, agora aposto em bem menos que isso, infelizmente. Cheguei a acreditar em promoção de ingressos, o que parece não vai acontecer.

Pelo menos não é a movimentação que vejo. Parece que teremos apenas uma torcida um pouco maior que a deles, que amanheceram fazendo fila e vão lotar a parte que lhes cabe no estádio, 4 mil lugares. Estão loucos para finalmente festejar um título no Couto. E agora, mais do que nunca, arrumaram motivos de sobra para acreditar nisso.

Será jogo de nervos, não recomendável para cardíacos. Quem for ao Couto verá um atletiba como nunca se viu. Com estes ingredientes, não lembro de ter visto um igual em toda minha vida de quase 6 décadas de Belfort e agora Couto. Foram muitos, muitos mesmo, mas assim ainda não vi.

E por isso, ainda prefiro acreditar que será um título histórico do Coritiba. Entre tantas previsões que já ouvi, teve um torcedor que me chamou atenção prevendo um placar pra judiar ainda mais da gente, com requintes de crueldade mesmo: Coritiba 4 x 1. Com o Atlético marcando primeiro. Nos pênaltis, dá Coritiba. Daqui há mais 50 anos, meus filhos estarão contando aos meus netos esta façanha do Coritiba, assim espero.

Quem não for cardíaco, sairá do Couto precisando de um cardiologista. Aliás, a ambulância que sempre está no gramado, desta vez recomendo que fique de olho na arquibancada.

Sobre o autor

Sergio Brandão
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.

Sobre o blog

Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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