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ArquibancadaSergio Brandão

Rivalidade histórica

Pois bem, deu atletiba na final. Achei que daria Coritiba e Paraná, mas torcia por um atletiba. Quem gosta de futebol, sabe o que quero dizer.

Sei lá quantos destes atletibas decisivos assisti em toda minha vida de torcedor. Desta vez, a primeira é lá e a segunda no Couto.

O Coritiba tem um time mais certinho, mais ajustado e parece que o treinador Gilson Kleina até previa uma final assim. O jogo de bastidores começou antes mesmo da confirmação do clássico. Juan aparece como dúvida e imagino seja mantido como tal até o último momento, mesmo que ganhe condições de jogo. Artimanhas que envolve o clássico? Não sei, só sei que outras vão surgir. A semana será farta para a imprensa esportiva. Muito querosene será ainda colocado nesta fogueira até horas antes da primeira partida, na baixada.

Seria inocente dizer que esta supremacia do Coritiba na história dos últimos clássicos conta. Ajuda, mas também pode atrapalhar. Terá mais graça e deixa a piada melhor ainda se vencer, mas trata-se de uma brincadeira que precisa permanecer apenas entre torcedores, longe do profissionalismo que se espera dos atletas e comissão técnica. Aliás, imagino que seja esta uma das primeiras orientações do comando técnico, assim que os trabalhos forem retomados neste início de semana.

Conhecemos nosso poder de fogo, sabemos que temos tudo pra sair campeões, mas humildade neste momento cai muito bem.

Será uma semana de portões mais do que fechados, embora nenhum dos dois treinadores não tenham muita coisa nova para mostrar. Uma arma secreta, ou opções que possam confundir o adversário. No caso do Coritiba, esta possibilidade de jogar ou não com Juan, acredito que seja uma das armas que Kleina deve usar, caso ele ganhe condições. Outra alternativa será Negueba ou Vinicius. O time fica mais ousado, mais adiantado com um, e mais defensivo, com mais cuidados de marcação com outro.

Problemas terá Paulo Autuori, para repor três peças importantes: Vínicius que saiu machucado e pode não jogar. Otávio e André Lima estão fora.

Um atletiba assim, nestes moldes, nem sei exatamente há quanto tempo não vejo. Não conto a última decisão, a de 2013, quando vencemos o sub 23. Talvez a última decisão memorável, com vitória Coxa, foi aquela dentro da casa do adversário, quando Petraglia impediu a volta Olímpica, num campeonato que o Coritiba sobrou e chegou voando baixo na decisão.

Não tenham dúvida que eles estão doidinhos para devolver um sapo que está entalado há anos. O que pode ser bom para nós, ou ruim, se não souberem aproveitar o momento.

O segredo pode estar na primeira partida. Saindo dela com um empate ou até vitória, mais de meio caminho já terá sido andado. Na segunda partida, a do Couto, virão para cima, fazendo o jogo que o Coritiba gosta, ou tem se dado melhor, com uma marcação mais frouxa do adversário.
Enfim, temos ingredientes para uma grande decisão.

Que vença o melhor, o Coritiba.

Sobre o autor

Sergio Brandão
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.

Sobre o blog

Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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