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Arquibancada
ArquibancadaSergio Brandão

Reminiscência

Informa um site de notícias (com foto), que dois torcedores do nosso principal rival, ostentaram a bandeira do time da baixada encobrindo a estátua levantada na Turquia, pela torcida do Fenerbahce, em homenagem a Alex, onde o menino se consagrou.

A foto foi tirada depois da partida amistosa entre Brasil e Turquia. No primeiro momento, minha reação foi de achar graça porque mexe com uma situação que sabidamente é só de provocação, mas com muito boa vontade, a brincadeira no máximo bate na trave.
Primeiro porque a homenagem é do clube e da torcida Turca, a um ídolo que por coincidência é torcedor e jogador do Coritiba, além de revelado aqui.

Mas torço para que isto esquente um pouco a rivalidade que anda pra lá de morna. Dá pra responsabilizar as duas administrações pelo marasmo que tomou conta do maior clássico do futebol paranaense. Quando um está bem, o outro vai mal. As trapalhadas dos nossos dirigentes desencorajam jogadores e torcedores ao prazer e tesão pelo clássico.

A rivalidade é saudável ao futebol, e não a confusão como anda fazendo uma meia dúzia de torcedores das duas torcidas, nos últimos atletibas.

Isso explica minhas últimas manifestações a respeito de Atlético- MG e Cruzeiro, quando digo que a minha ponta de inveja do futebol mineiro é grande.

- Não vejo nada de mais com os rivais brincarem com a estátua – disse um amigo meu. A inveja é f... - arrematou ele. Eu já acho que pra quem não pode ter Alex vestindo a camisa, se contenta com pouco, com a bandeira sobre a imagem do ídolo Coxa.
Ídolo que há anos eles não têm e que temos há pouco tempo, mas mal sabemos aproveitar e valorizar.

Os ídolos que embalaram muitos atletibas e que foram os principais personagens de muitos clássicos inesquecíveis. Lembro de muitos, mas um em especial me marcou mais, com gol de Passarinho, um ponta direita digno de seleção brasileira, no final dos anos 60. O problema é que naquela época craques como Passarinho brotavam em todos os clubes. Quase todo mundo tinha um craque como ele.

Naquela semana, Curitiba recebia a visita de um circo. No domingo pela manhã, vestiram o elefante de vermelho e preto e promoveram um desfile pelas ruas centrais da cidade. Foi uma festa como tantas que o rival costuma fazer antes, sabendo que quase sempre, na maioria das vezes, depois quem faz a festa somos nós.

A vitória Coxa por 1x0, fez a torcida alviverde sair do Belfort Duarte cantando: “Um elefante incomoda muita gente... um Passarinho incomoda muito mais” !

Atletibas que não voltam mais. Atletibas que apenas meia dúzia de policiais davam conta da segurança, que uma corda no meio da arquibancada era suficiente para separar as torcidas. Atletibas de convivência pacífica em qualquer lugar- nos ônibus, nas ruas ou no estádio.

Mas que é sempre bom lembrar: atletiba que carrega uma conta que nos mantém anos luz, com o maior número de vitórias, prova incontestável da supremacia Coxa-branca nestes anos de história do clássico.

Sobre o autor

Sergio Brandão
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.

Sobre o blog

Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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