Quero acreditar, mas ...
Que fique bem claro, não sou da turma do limão que torce contra, que quer o fim de tudo, pra depois apostar numa recuperação. Cair agora, tem um preço muito alto e a volta pode não acontecer, se continuarmos neste vai e vem de incompetência administrativa e até de gente mal intencionada no comando do clube.
O Coritiba precisa consertar o ônibus com ele andando, mas agora, a operação me parece fora de questão, ficou tarde demais para uma reação. Não vejo alternativas. Além de todos os problemas mecânicos, o ônibus ficou sem rodas e não anda mais.
Futebol se faz com planejamento sério, dinheiro, um pouco de sorte, profissionais experientes, amor ao clube... Faltou tudo isso ao Coritiba. Não seria agora que vamos reunir todas estas qualidades e na reta final arrumar a casa. O que mais dói e saber que ainda há alguns dias era possível esta virada, agora não mais. Pelo menos é o que penso.
Os problemas ficam ainda mais graves se levarmos em conta que vivemos ano de eleição. Até aqui nenhum nome salvador se apresenta. Vemos a mesma movimentação de bastidores de sempre e no comando os mesmos grupos e nomes que há anos se alternam no poder, elegendo sempre um “testa de ferro”.
Com Bacellar saindo, fica cômodo para ele e seu grupo, passar o bastão. Logo, em alguns poucos meses, a segunda divisão cai no esquecimento e a torcida adota o “Vamos subir, Coxa”! - Bacellar será esquecido e volta a circular sem problemas pelos corredores do Alto da Glória, sem cobrança, apenas carregando sobre seus ombros e peso de ter sido o pior presidente da história do Clube, mas que para ele, isso parece não ser assim um fardo tão pesado.
Percebam que minhas conjecturas e previsões são políticas e pra longo prazo. O que me posiciona seguramente numa convicção para o futuro e não de uma solução para agora.
Decidi não perder mais meu tempo avaliando escalações, treinador, elenco, dirigentes contratados para comandar o departamento de futebol. Agora, neste momento, isso tudo não faz a menor diferença para mudar as coisas. O problema é mais grave. Tão grave, que vamos além de Marcelo Oliveira, Filigrana, Henrique Almeida, Berola, Alex Brasil, Kleber etc etc etc.
Cansei de falar em INDIGNAÇÃO e REVIRAVOLTA, que seriam um caminho para nos colocar no trilho, mas que deveriam acontecer há um mês ou há três semanas. Agora, pagamos o preço da falta de atitude de uma diretoria omissa.
Quero muito estar enganado, quero muito ver o Coritiba ainda na primeira divisão e apostar que em 2018 teremos uma reviravolta e na eleição de final de ano - seja com quem for na presidência - teremos um ano melhor. Não só um ano melhor, mas com um Coritiba sendo tratado e pensado para o futuro, seus sócios pagando as mensalidades sem sentimento de culpa.
Fico aqui ainda tentando me recuperar e tentando colocar a casa em ordem, depois de mais uma semana onde o Coritiba vai precisar entrar em um novo campeonato, com outra postura, com outro caminho pra tentar sair deste enorme problema em que se meteu. Quero muito acreditar que ainda dá, mas não consigo.
Sobre o autor
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.
Sobre o blog
Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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