Portões fechados
Pronto, cá estamos nós novamente comemorando uma vitória e o início da saída de uma grande crise, repetindo uma história de alguns anos seguidos. Tudo bem, ainda não é o suficiente, mas é o que temos para o momento. E quer uma sugestão? Comemore, sim. Porque apenas passamos pela primeira etapa das quatro de 90 minutos que temos pela frente. Ainda restam mais três destas. Talvez até pior. Hoje apenas nos afastamos e quase matamos um adversário direto. Mas os tempos são outros. A era de NF acabou e Pachequinho agora é o cara!
O momento é de comemoração. Mas a partir de amanhã, convém entender que temos mais briga pela frente. E se armar até do que nem imaginamos. Por exemplo: quando a gente acha que pior do que estava não podia ficar, vem o TJD e nos tira até o direito de ingresso ao estádio, na penúltima partida que temos dentro de casa. Engana-se quem pensa que a CBF age apenas indiretamente na vida do torcedor, com seus poderes e decisões, às vezes absurdas.
Seus poderes, aliás que não são reconhecidos pela justiça comum brasileira, nos alcançam sim diretamente, como no caso desta decisão de proibir a nossa entrada em nossa própria casa, em mais um jogo decisivo. Depois, só contra o Vasco na última rodada, que pode valer tudo ou nada.
Jogar em casa, mas sem torcida, é sorvete de chuchu, chupar gelo, dançar com a irmã... estas coisas. Tem os que acham que no fundo pode ser bom, afinal jogar no Couto com casa cheia, pode botar pressão no time, que já se mostrou desconfortável em situação semelhante.
Enfim, ficamos sem saber pra onde correr, neste domingo. Aos assinantes do payperviw, todos os caminhos os lavam ao sofá da sala de casa. Aos apaixonados e ansiosos, quem sabe a Mauá, de joelhos, em oração. Como disse um amigo, “de joelhos em cima do milho”. Pra deixar o sofrimento nos mesmos níveis que vivemos até aqui, durante todo o ano.
Se esta opção lhe agrada, pense então na igreja da frente, com bancos mais confortáveis e até almofadados para uma oração mais confortável. Afinal, serão pouco mais de 90 minutos de sofrimento. Transformar o santuário de Nossa senhora de Perpetuo Socorro em arquibancada, não será certamente do agrado do vigário da paróquia, mas um bom lugar para este domingo.
Mais do que nunca acredito, e esta esperança ganha um nome: Pachequinho, que na noite desta quarta-feira, no Serra Dourada, pode ser simbolizado no belo gol de João Paulo. Coisa considerada inimaginável até agora. Não só pela plástica, mas pelo seu autor, que desde que chegou no Coritiba, não lembro de um chute que tenha dado ao gol adversário. Este gol de João Paulo, pode simbolizar esta virada, algo próximo do que foi o gol de Lucas Claro, ano passado, contra o São Paulo, em Itú. Se não foi bonito como o de João Paulo, no mínimo determinante para aquele momento, como o segundo do Coxa nesta quarta-feira à noite.
Mas as coisas nunca são fáceis para o Coritiba. Quando acertamos, os outros também acertam, quando erramos, temos tido a sorte também do erro dos outros.
Avaí e Figueirense estão vivos. Nos deram ocupação demais nesta noite de rodada que começou às 7 e meia e só terminou depois das 11 horas.
Para a próxima rodada, ainda precisamos jogar, fazer nosso papel, além de rezar por alguns tropeços.
Sobre o autor
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.
Sobre o blog
Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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