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ArquibancadaSergio Brandão

Os "malucos" que nos salvam!

O bola era cruzada na área e ele saia pra pegar apenas com uma mão, quase sempre em dois tempos. No primeiro toque amortecia e no segundo segurava. Usava boné, não como os de hoje - os que a garotada usa... tinha um design clássico, parecia diminuir a visão, atrapalhar, mas não, era estilo, e na época era o que tinha para ajudar a segurar o cabelo. A aba ajudava nos dias em que o sol vinha pela frente. De tipo físico magricelo, espigado, assim construiu sua história no gol do Coritiba, nos anos 60.

Célio foi talvez o início de uma geração de goleiros de fizeram história no Coxa. Na mesma época tinha o Joel Mendes, com um estilo bem diferente de Célio. Joel fazia o estilo fortão, italiano de Santa Felicidade, também impunha respeito debaixo do gol. Esta história de sair apenas com uma mão, era a frieza que sempre acompanhou a vida destes caras que escolhem o gol como trabalho, a pior posição do futebol.

Esta história dos goleiros no coxa, vem sendo contada ao longo dos anos, por outros grandes goleiros: Manga, um dos protagonistas de um dos títulos mais disputados do paranaense, num inesquecível atletiba, que acabou nos pênaltis. Com suas mãos que mal vestiam as luvas, (Manga tinha os dedos deformados) foi o protagonista daquele título.

Rafael Camarota dizia que todo goleiro precisa ser maluco. A loucura está em sair na bola perdida, em acreditar quando tudo parece perdido. Rafael e Jairo foram sem dúvida os dois principais goleiros do Coritiba. Um pelo título brasileiro e outro porque foi destaque nacional em brasileiros quando o futebol respirava ares diferentes.

Uma posição ingrata... capaz de ocupar o céu e o inferno na mesma partida. Os erros geralmente resultam em gol do adversário e quando defendem, não fazem mais que a obrigação, afinal, estão lá pra isso. No fundo a gente sabe que não é bem assim, mas é assim que a gente se comporta: cobra demais destes caras.

A verdade é que eles foram “os caras”, muito mais até que muitos artilheiros, coisa rara no futebol.

E o Vanderlei, o que acham dele? É um bom goleiro? Eu consigo lembrar de Vanderlei mais como “pegador” do que como “entregador”. É só lembrar dos pênaltis contra o Flamengo, na recente eliminação da Copa do Brasil. Depois daquele dia, passou a escrever outra história no Coritiba, mesmo com a eliminação. Pegou três. Faltou competência aos batedores. Vanderlei fez a parte dele. Tudo bem que ele não é uma “Brastemp”, mas a avaliação passa longe de culpá-lo pela campanha do Coritiba nestes dois últimos anos. Vanderlei é do tamanho do atual time do Coritiba. Primeiro por uma das máximas do futebol: aquela bastante conhecida que diz que um bom time começa por um grande goleiro. Não temos um grande goleiro porque não temos um grande time. Se temos goleiro para pegar três pênaltis, temos jogadores de linha para errar três pênaltis.

Vanderlei é a cara do atual time do Coritiba, mas passa longe de merecer uma vaia, como a de ontem, na saída para o vestiário, na vitória contra o Criciúma. Aliás, nas poucas oportunidades criadas, estava no lugar certo, e trabalhou como exigia o momento.

Na intenção de vaiar alguém, responsabilizando pela campanha que fazemos, pense bem. Acho que o endereço não é o time que anda entrando em campo. Além do mais, torcida e jogadores estão fechados num pacto que é fugir do rebaixamento. Quer criticar o time? O momento não é este!

Se você quer vaiar, acho que o seu alvo deve ser outro departamento do clube.

Sobre o autor

Sergio Brandão
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.

Sobre o blog

Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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