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ArquibancadaSergio Brandão

Os erros de sempre

A CLT - Consolidação das Leis Trabalhistas-, um marco histórico na conquista do trabalhador brasileiro, garantiu direitos e deveres. As conquistas garantem estabilidade a ambos: ao empregado e empregador. A grosso modo, seria mais ou menos isso.

O “Bom Senso Futebol Clube”, na verdade busca um aperfeiçoamento de algumas questões, mais direcionadas ao atleta de futebol. Digamos que seria uma CLT do futebol- mais uma vez grosseiramente falando.

Então, imagino que jogador de futebol deve ser tratado como um trabalhador, guardadas algumas diferenças, levando em conta o desgaste físico, idade, tempo em atividade, treinamento, aperfeiçoamento etc.

Quando um trabalhador comum erra uma, duas, três ou quatro vezes, abre caminho para sua demissão.
No futebol não é bem assim. No Coritiba não tem sido assim. Ouço sistematicamente vários jogadores admitindo erros que resultam em gols dos adversários em seguidas derrotas. Às vezes é possível admitir estes erros... mas em todos os jogos, acho demais.

Muitos dos nossos atletas admitem erros de marcação, desatenção ou de posicionamento. Não dá mais pra aceitar esta postura (cômoda da maioria) de perceber os erros depois do leite derramado. É uma ladainha ao final de quase todas as partidas. A choradeira do “erramos mais uma vez”, só não aconteceu contra o São Paulo, por razões óbvias e excepcionais. Mas contra o Sport um erro de marcação custou mais uma derrota e nova choradeira no vestiário.

Já ando abolindo da minha rotina, o hábito de ouvir rádio depois dos jogos. Não aguento mais esta conversa do “precisamos trabalhar nossos erros. Eles não podem mais se repetir..."

Que trabalhadores são estes que desde o ano passado me irritam buscando o acerto, mas continuam errando nas mesmas coisas, em situações primárias, até no que chamam de fundamento do futebol, por exemplo?

Lembro que já vi muito trabalhador ser demitido por justa causa depois do terceiro ou quarto erro. No Coritiba, não é assim. Pior, erram e continuam prestigiados no emprego. Alguns são mais requintados. Tem gente que ainda reclama do atraso no pagamento dos salários, como se estivesse fazendo a sua parte no acordo, quando topou defender o Coxa, trocando dinheiro pelo trabalho, como fazem todos os trabalhadores. Não estou dizendo que não deveriam receber porque andam fazendo mal o trabalho contratado, mas pelo menos procura outro caminho para fazer com que as coisas melhorem o mínimo possível. Porque sabidamente, alguns não estão fazendo a parte que lhes cabe no acordo.

Andam fazendo de conta que jogam e a direção faz de conta que paga, MAS NÓS NÃO CONSEGUIMOS FAZER DE CONTA QUE TORCEMOS.
A verdade é que este é um problema do futebol brasileiro- não só do Coritiba.

Trabalhadores de qualidade questionável, tomam lugar de outros trabalhadores medianos, num emprego pra lá de garantido, sem que o patrão possa fazer alguma coisa, porque o mercado desta mão-de-obra se fecha num mundo que anda pra lá de fora do contexto. O futebol contrata, paga e garante um mundo que não cabe na realidade brasileira, no contexto nacional.

Todos os trabalhadores no futebol – não só atletas- precisam no mínimo aprender a respeitar a inteligência de quem está do outro lado: o torcedor.
Se tudo isso não vai mudar porque a CBF não se interessa pelo tema, então, que no mínimo respeitem a nossa inteligência e mudem o disco, com outra conversa, com outra desculpa. A verdade é que tudo isso já passa da conta.

Sobre o autor

Sergio Brandão
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.

Sobre o blog

Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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