O último de uma geração perdedora?
Como tudo desemboca no futebol, afinal somos o Coritiba Foot Ball Club, a política clubística acaba determinando os rumos da bola que vamos jogar quando nas mãos destes dirigentes, no período que exercem seus mandatos.
Estamos batendo na porta da mudança... ou não? Porque a recente história nos mostra que mudam os nomes da ponta, mas as ratazanas são as mesmas. Em campo somos o retrato das nossas administrações, a cara desta política de revezamento que fazem na manipulação de formação das chapas. Interesses, testas de ferro, composições das quais não nos livramos nunca e acabamos sempre ficando do lado de cá, sem muita opção para escolha, acabamos ficando com o menos ruim.
Com o time que andam nos dando para torcer, o sonho não pode mesmo ser ousado. Mas já me encheu esta conversa de primeiro vamos somar pontos pra não cair e depois disso, o que vier será lucro. Isso é justificativa de quem não trabalha com planejamento. Mas esta é a conversa mais “pé no chão” que um Coxa-branca pode ter agora. E é assim que as coisas estão há anos. Por aqui, no COXAnautas, vejo muitas destas manifestações. E eu as respeito entendendo perfeitamente o que querem dizer. Aliás, já me enquadrei até recentemente nesta categoria de torcedor: os conformados com os 46 pontos, conta necessária para fugir da segundona. Coisa que fazemos já há cansativos longos cinco anos.
Lembro que quando Bacellar assumiu, disse que o primeiro ano seria de “vacas magras”. Que a prioridade era arrumar as finanças do clube. Arrumou em parte, muito pouco para pagarmos o preço de ficar sem time de futebol, como tem sido desde que assumiu. O preço a ser pago está muito alto para pouca economia, pouca coisa lucrou financeiramente o clube.
Bacellar também se perdeu em promessas, quando num mesmo campeonato, por exemplo, adotou a onda de outros dirigentes, fazendo politica do “jogo de cintura” – dizendo eles: este ano brigaremos por título ou este ano temos time para disputar uma das vagas pela Libertadores. Duas conversas usadas conforme o rendimento do time nas competições. Sempre com a intenção de trazer o torcedor para junto deles, tentando fazê-lo acreditar que fazem das “tripas coração” para montar um grande elenco. Quando o time vai mal, como foi no final do segundo turno fazendo uma série de derrotas dentro e fora de casa, eles somem, ninguém aparece pra justificar a má fase.
Conversas vazias, política pouco sincera de uma relação mais honesta que merece o torcedor Coxa. Parece que será mesmo mais um ano para agradecer se não estivermos rebaixados ano que vem.Será lucro se não tivermos do lado debaixo da tabela.
Sabemos muito bem quantas velas são acesas, quantas promessas são feitas para que o time se mantenha na elite do futebol brasileiro há longos cinco anos.
Este amor cego nos faz esquecer de derrotas absurdas, eliminações injustificáveis em Copa do Brasil, Sul- Americana e até mesmo no brasileiro, para clubes grandes e pequenos - às vezes até bem pequenos. Viramos mestres em ressuscitar mortos. Assim como vocês, estou cheio desta pequenez.
Escrevo isto em novo bom momento do time no Brasileiro. Quem sabe não fosse mesmo o momento para lamentações. Justo agora que engatou duas vitórias seguidas, treinador novo, ajustes sendo feitos, elenco sendo reestudado por Marcelo Oliveira, algumas experiências sendo feitas, depois de quase dois meses voltando a vencer no Couto... mas é disso que falo quando me refiro a festejar pouco. Coxa –Branca de fato sabe do que estou falando, entende que nas entrelinhas está uma tradição e respeito, construídos durante anos e que se perdeu nestas incompetentes e até mal intencionadas administrações.
O Coritiba vive novos tempos de eleições. Até o final de agosto, começo de setembro, os nomes para as eleições do final do ano, começam a surgir. Os tempos de Bacellar ficam marcados como um dos piores já vividos pela apaixonada torcida Coxa -Branca.
Bacellar sai apenas com um titulo paranaense de 2017, muitos vexames e dois vices no regional, que se pudessem ser apagados, seria o que todos fariam. Também as desclassificações em torneios onde precisamos estar entre os melhores, como o regional e Copa do Brasil, por exemplo. Me dou por satisfeito com um time mediano, que frequente a parte intermediária da tabela do brasileiro - ao preço de pagar as dívidas - mas brigar todos os anos para não cair e ouvir que temos um bom time, não dá mais. Isso chega a ser até desrespeitoso com o torcedor.
Já escrevi muitas outras vezes com conteúdo semelhante a este. Mas agora falo com o conselho do clube que rege as eleições de final de ano. Senhores, a hora de mudar é esta. Esqueçam os interesses pessoais e coloquem acima de tudo o Coritiba. Se não for assim, estamos com os dias contados e temo pelo futuro do clube, que provavelmente não suportará mais três anos destas administrações bastante discutíveis.
Não há mais espaço para surfistas, Macias, Gazires, Becellares, Vilsons, Petruzielos, grupos de whtssaps, conchavos, dinheiros que financiam campanhas de amigos (Gomide), Guerras, Pedrosos, papos furados de estádio novo etc. etc. etc.
Ou muda tudo, mesmo que para isso passemos por uma profunda e longa reforma estatutária, ou assume a postura de clube pequeno e vamos nos abraçar com outra realidade. Mas deste jeito, fazendo pouco e sonhando grande, não dá mais.
Sobre o autor
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.
Sobre o blog
Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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