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O sonho de Lucas Faria

O sonho de Lucas Faria
No primeiro momento, o torcedor menos avisado acessa o post achando que pode se tratar de um novo contratado. Uma nova ousadia de nossos dirigentes, trazendo da Europa o artilheiro salvador. Pelo menos nome de craque ele tem. Mas este ainda é um craque da arquibancada, mas que chama atenção no velho continente, exibindo seu amor pelo verdão Coxa- Branca.

A foto acima foi publicada no Facebook por Elaine Vaz, no Grupo “Força Coxa”. A foto – imagino eu - é de alguém da família dela. Lucas Faria é o nome do menino que com orgulho foi ao Camp Nou, mostrar seu amor pelo Coxa, no clássico espanhol, entre Barcelona e Atlético de Madri, no sábado passado. Entre tantas fotos deste gênero, publicadas nas redes sociais, esta em especial me chamou atenção.

Naquele dia, Lucas foi provavelmente o único assim. Um único Coxa em Barcelona, no clássico, vestindo o manto sagrado, cheio de orgulho de um time que não estava em campo. No mesmo sábado onde o Coritiba vencia o Cascavel na estreia do Campeonato Paranaense, por 4 x 0. Um choque de realidade que chega até a nos assustar, mas numa imagem bonita, cheia de cores. Entre o amarelo, laranja, azul e vermelho, timidamente surge um verde e branco levado por Lucas, iluminado por sua satisfação, num sorriso contagiante, numa alegria clara de estar ali, como talvez o único representante do verde e do branco.

Estádio cheio, provavelmente os poucos que observaram a camisa destoante de Lucas, naquele mar onde prevaleciam outras cores, quem sabe um espanhol possa ter observado, pensado e se perguntado: quem e o quê será este vede e branco? Uma cena que provavelmente virou rotina entre os espanhóis, já acostumados com a tietagem em torno do seu futebol, especialmente quando as atenções estão voltadas ao Barça.

A alegria do menino, responde e até o diferencia neste mar de outas cores. Por trás deste sorriso, muito provavelmente se esconde um sonho, além de se realizar num dos maiores templos do futebol mundial, o Camp Nou. Quem sabe Lucas estivesse pensando o mesmo que eu pensaria se tivesse em seu lugar: quem sabe um dia finalmente poder ver meu time ali, mas com as 11 camisas, do outro lado, dentro de campo.

Hoje, por enquanto, é assim: para que esta camisa entre num estádio e numa festa deste nível, onde mora a maior força do futebol mundial, só assim mesmo , na arquibancada. Por enquanto vamos ter que nos contentar em ver o manto sagrado apenas na arquibancada, com desbravadores como Lucas. Enquanto houver este espírito, nem que seja para um passeio no Camp Nou, fica a esperança do sonho: quem sabe mais adiante, a gente possa também fazer parte deste cenário, ou pelo menos sonhar com algo próximo disso.

Ainda temos muito caminho pela frente. Onde Lucas esteve - quem sabe um dia, possamos ver o Coxa formado dentro do gramado, cantando o Hino Nacional, jogando bola de causar inveja a outros do mundo todo. Nem que seja numa partida amistosa, sem valer nada, numa pré- temporada, em Barcelona, contra o Barça de Messi e Neymar e não mais em Foz do Iguaçu, contra ilustres desconhecidos.

Mas parece que nos distanciamos deste sonho cada vez mais. Pelo menos é o caminho que fazem nossos dirigentes e todo o futebol brasileiro. Ainda somos fracos e nos rendemos ao poder econômico de outros países, até sem nenhuma tradição no futebol, e perdemos cada vez mais atletas, esvaziando nossa prateleira, como agora, como em muitos casos, com muitos clubes até nem tendo o que colocar em campo, deixando alguns clubes vazios, como lojas pós—liquidação.

Um Coxa -Branca , entre mais de 80 mil pessoas, nos basta por enquanto. Emociona e nos faz pelo menos sonhar com algo maior, quem sabe um dia dentro do Camp Nou, não só na arquibancada, mas no gramado.

Quem sabe os olhos vidrados, a alegria de Lucas, com todo o colorido que explode em cores, me permite acreditar que sim, quem talvez a gente um dia possa ver isto. Um sonho meu, seu e de Lucas Faria.

Sobre o autor

Sergio Brandão
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.

Sobre o blog

Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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