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ArquibancadaSergio Brandão

O jogo do ano?

E o ano Coxa –Branca se limitou, ou pelo menos o primeiro semestre se limitou a uma decisão de semifinal com o Cianorte. Antes, com a possibilidade de uma Sul-Americana, Copa do Brasil, Primeira Liga e com um pouco mais de ousadia (se tivesse), quem sabe até uma Libertadores.

Mas não, o ano de Bacellar e sua turma, ficou mesmo numa semifinal do Paranaense, contra o Cianorte. O jogo mais importante do ano. E olha que não sou eu que digo isso. Está aí pra ser lido por todo mundo, nas declarações dos próprios dirigentes do clube e até dos atletas que também perderam totalmente a vergonha na cara e desandaram a semana inteira com esta conversa irritante, mais uma vez achando que somos incapazes de pensar.

Numa tentativa de colocar pouco mais de 10 mil torcedores no Couto, nesta semifinal, falam em casa cheia na partida do ano, onde vão jogar com "sangue nos olhos". Falam em combate ... "a luta não terminou" e por aí vão com uma conversa que me envergonha. Não sei se tenho pena, achando que de fato acreditam mesmo no que dizem, ou tenho cada vez mais vontade de ver esta turma cada vez mais longe do Alto da Glória, pela falta de humildade em reconhecer que só fizeram m.... nestes anos todos que estiveram à frente do Coritiba.

Me vejo repetindo os discursos anteriores, lembrando as glórias do passado e não consigo ver a luta, o combate, o tudo ou nada, nesta partida sem sal, sem tempero, sem graça, contra o Cianorte.

Quem sabe se colocassem a base pra jogar, acharia mais graça, talvez conseguisse até ir ao jogo, mas assim, vendo Kleber, Wilson, Juninho, Alan Santos, H. Almeida, Berola, Anderson, Iago, enfrentando um time quase amador, que deveria ser inferior e que nos surrou duas vezes no campeonato, francamente acho até uma falta de respeito com o torcedor pedir seu apoio e colocar esta partida como a mais importante do ano. Fico imaginando se passarem pelo Cianorte e forem pra final, seja com Londrina ou Atlético o que dirão. O Coritiba anda tão traiçoeiro, que mesmo que isso aconteça, tem tudo para chegar numa final e decepcionar mais uma vez.

Tá certo que futebol não é jogado com lógica, não é exato e nem sempre o melhor vence, mas a falta de lógica não é bem o nosso caso. Estamos mais para uma questão administrativa do que matemática.

Entre as estrelas do Cianorte está Leo Gago que em plena forma, deu o seu melhor pelo próprio Coritiba, mas quando ainda era profissional, lá pelos anos de 2011. Penso que nem vale perder tempo e comparar nível de clube, de tradição, e de elenco. Coritiba é Coritiba e Cianorte é Cianorte, com todo o respeito que o time do interior merece.

Muito provavelmente os mais apaixonados não me entendam, mas nem uma vitória e uma classificação à final do Paranaense me empolga mais. Na verdade acho que nem o título (se vier) será capaz de me tirar deste sentimento de descrédito com tudo que se instalou no Coritiba.

Minhas preocupações são as mesmas de vocês: pra pensar em algo pra agora, sem projetar futuro, me preocupa neste momento o que ainda temos pela frente neste ano. As atenções crescem em torno do Brasileiro. Coloquei o Campeonato Paranaense numa prateleira de objetos sem uso, das coisas que não preciso mais, que pouco me importam.

Sobre o autor

Sergio Brandão
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.

Sobre o blog

Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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