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Arquibancada
ArquibancadaSergio Brandão

O circo ainda está de pé

Aos desavisados, sempre é bom lembrar que torcemos para o mesmo time, embora pra alguns pareça que não. O que nos difere são as opiniões. A vocês é permitido participar de tudo.

Nunca escrevi nada neste blog como palavra final. Apenas defendo minhas ideias, assim como cada um de vocês. Concordando ou não. A tribuna é livre, as opiniões são bem-vindas e a divergência faz parte do jogo. Não dá é pra admitir a grosseria, a falta de educação, o palavreado baixo, o xingamento ... até o ódio de alguns em muitos comentários, aqui no blog ou em outros espaços.

Ninguém nunca foi chamado para concordar com nada que escrevo aqui. O chamamento é para discutir civilizadamente, como faz a maioria. Se for para destilar veneno, frustrações, noites mal dormidas, sugiro o silêncio, um pouco de oração, quem sabe meditação budista.

Tudo isso para entrar em mais uma discussão pra lá de polêmica e tentar entender esta conversa que toma conta de tudo que é a vinda de Ronaldo Gaúcho.

Alguns dão como a solução de nossos problemas (a maioria). Os mais sensatos, onde consigo achar a melhor explicação, tratam a possível contratação como uma grande jogada de marketing, que seria sem dúvida, se a vinda do “bruxo” se concretizasse.

Com todo o respeito que tenho pelo futebol que jogou, durante toda a sua vida, chegando até ao período que prestou serviço ao Atlético Mineiro, não espero que Ronaldo nos dê alegrias jogando um bom futebol, com algo que seja semelhante àquele. Nem mesmo com um planejamento especial, para jogar apenas algumas partidas do regional, no Couto, sem se prestar as desgastantes viagens ao interior, que seja mais usado no brasileiro e na Copa do Brasil. Não consigo fazer esta aposta. Entendam, falei aposta. Por outro lado, claro que torço, caso venha como contratado, que seja a solução. Não poderia ser de outra forma.

A vinda de Ronaldo como atleta contratado pelo Coritiba, daria uma visibilidade que há anos o Coritiba não têm. Se funcionasse, se Ronaldo tivesse por aqui o último canto do cisne, seria ainda melhor. Seu gols, suas jogadas estariam de volta ao noticiário esportivo, dando a ele e ao Coritiba o que os dois perderam há uns bons anos.

Cá estamos nós novamente sonhando. Sonhando com o que nem sabemos se vai acontecer. Fazendo figa. Primeiro para que a negociação se concretize, depois que todas as previsões também aconteçam.

Mas é impossível passar por uma história destas, sem lembrar da última experiência, quando Vilsão trouxe Alex, festejado e reverenciado como o “menino de ouro”.

O respeito que alguns perderam no trato com as pessoas por aqui, são os mesmos que perderam o respeito quando descobriram que Alex não resolveria todas as nossas frustrações. E são os mesmos que podem ressurgir quando descobrirem que Ronaldo também não será a solução dos problemas do Coritiba.

Sei, coisas do futebol, estes caras estão vacinados contra isso e conseguem superar as manifestações mais afoitas e grosseiras.

O que não sei é se a torcida do Coritiba estaria preparada para uma nova frustração. Para mais uma tentativa de sucesso que pode resultar em fracasso. Porque logo depois disso, a lona do circo será desarmada, os palhaços vão sumir de cena e a bilheteria estará fechada. Não terá mais ingresso para ser vendido porque o espetáculo acabou.

Sobre o autor

Sergio Brandão
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.

Sobre o blog

Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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