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Arquibancada
ArquibancadaSergio Brandão

O anonimato covarde

Nestes meus anos todos de futebol, vi quase tudo. Entre muitas manifestações de torcedores, uma prática tem me chamado atenção. Telefonemas anônimos, à moda antiga, como bandido que ameaça a partir dos quase extintos orelhões. Pelo conteúdo não é difícil chegar ao autor, ou autores.

Mas com a polícia tendo que se ocupar com coisas mais sérias e dentro de suas limitações, prefiro deixá-la, por enquanto, fora disso, ocupada com a bandidagem de verdade, do que com os ameaçadores do "telemarketing do mau” da torcida Coxa..., era só o que faltava para nos colocar definitivamente entre os pequenos. Mais um lado da torcida que não sabia que existia. Os que não incomodam, mas também divertem. Não são ofensivos, e nem ameaçam, apenas são engraçados, mas vergonhosamente patéticos, do tamanho deste Coritiba que andam nos dando para torcer.

Em uma das ligações, o corajoso torcedor, que se esconde atrás da ligação anônima, se refere ao apoio que dizem que dei ao movimento que tentou acalmar a torcida, quando trouxeram René Simões para uma palestra entre alguns torcedores escolhidos. Balela.

Fui sim ao chamamento, atendendo convite de amigos lá de dentro, na reunião com palestra de René Simões.

Saí de lá dizendo que teria sido melhor trancarem René numa sala com Samir e lhe passar exclusivamente o que foi dito naquela oportunidade, do que levar ao espaço Belfort Duarte, 200 torcedores, ou mais convidados, para o encontro. Atender um convite numa tentativa de ajudar o Coritiba, seja lá o que for, é dever de Coxa-Branca, mas colocar em prática e aceitar o que propõem, é outra conversa.

Arrogante, montado em seu cavalo branco, ainda com pose de dono da verdade, Samir comprometia toda a boa ideia de conciliação, tamanha era a sua arrogância na recepção aos convidados. Em alguns casos chegando a ignorar a quem em algum momento se mostrou oposição ao seu trabalho.

Samir prova cada vez mais que não tem o perfil de líder, nem conhecimento, tão pouco capacidade de ser o principal nome para administrar o Clube.

Naquela oportunidade, além do conteúdo passado por René, sempre muito bom, mas com suas velhas e conhecidas histórias dos tempos da Jamaica, falando bem, como sempre fez, mas foi a presença do próprio Samir que mais me marcou, fazendo caras e bocas a seus opositores.

Repito, a conversa daquele dia deveria ter sido entre René e Samir, numa sala fechada, não com o grupo de torcedores que reuniram naquela noite, que serviu até para ver que coxas ilustres ainda conseguem conviver harmoniosamente num mesmo espaço, mas assim como eu, muitos também devem ter voltado para casa ainda mais irritados com o que ouviu.

Quem sabe uma nova convocação e nela estarei novamente, com este mesmo grupo, mas sem René e sem Samir, para tentar montar um consenso e discutir o que precisa o Coritiba para retomar a sua vida. Fica a dica.

Deixo como sugestão, um novo encontro, com as mesmas pessoas, no mesmo espaço. Que o Coritiba nos abra suas portas, para discutirmos o futuro do Clube, tendo como lideres os mesmos organizadores do primeiro encontro.

Sobre o autor

Sergio Brandão
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.

Sobre o blog

Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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