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ArquibancadaSergio Brandão

O Coxa precisa dele e ele do Coritiba

As coisas no Coritiba são mesmo muito diferentes da média. Ao contrário dos outros clubes, especialmente os que também caíram para Série B, que já trabalham montando o time para a retomada em 2024, o Coritiba ainda se debate com as causas que o levaram à queda. Ou uma das causas: o caso Manga.

Eu já manifestei pelo menos duas ou até três opiniões sobre o caso Alef Manga. Logo no começo, me senti traído com o que fez o jogador. Mais adiante, reconheci o peso social do problema, entendendo principalmente a total incapacidade de Manga em perceber o contexto social onde se insere profissionalmente. Aliás, um dos grandes problemas entre os jogadores brasileiros. Hoje mesmo Marcelinho Carioca protagoniza uma cena bastante comum no meio. Num terceiro momento, consigo admitir a falta que Manga fez ao Coritiba. Talvez se não tivesse sido punido com o afastamento do futebol, a história do Coritiba teria sido outra ao final desta temporada.

Desde que voltou, o jogador parece obsessivo com a ideia de se desculpar e tentar voltar a defender o Coritiba. O clube não se manifesta oficialmente. Alef Manga se apresenta com um arrependimento de doer a alma, de mexer até com o torcedor mais sangue frio.

Chegamos num ponto difícil da questão. O primeiro deles é entender o contexto do Coritiba. Enquanto os principais adversários se reforçam com qualidade, o Coritiba, pelo menos por enquanto, se manifesta mais humildemente, com mais gente saindo do que entrando. É verdade que quem sai, já vai tarde, mas também abre mão de qualidade, como Moreno e Bruno Gomes. Na atual conjuntura, Manga seria muito bem-vindo e pelo que vejo entre os torcedores, a aceitação do pedido de desculpas do jogador, parece ser maioria.

Acredito nas desculpas de Manga, acredito que pode contribuir com o grupo. Só a vontade de mostrar serviço e de virar o jogo, parece ser digno de aposta. Mas o passional torcedor não perdoará Manga na primeira pisada de bola, que seja por não estar num bom dia. Um penalti mal cobrado, um cartão amarelo no calor da disputa, certamente vão gerar desconfianças.É preciso levar em conta que Manga pode ter perdido a confiança do torcedor e será exigido em 100% de rendimento.

A verdade é que, agora, o Coritiba precisa dele. Assim como ele do Coritiba, pois então, que se abracem.

Sobre o autor

Sergio Brandão
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.

Sobre o blog

Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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