Ninguém suporta mais!
Não me dei ao trabalho de copiar Popini, muito menos de buscar em meus arquivos colunas que repitam o mesmo drama que vivemos hoje. Até porque o time e o clube não merecem este empenho. Me dá preguiça de buscar, a mesma preguiça que vemos tomar conta dos nossos representantes, diretos ou indiretos, dos administradores ao grupo de jogadores.
Ontem a palavra ‘cansado’ foi a mais ouvida por quem assistiu a live do COXAnautas. Sim, estamos todos cansados dos mesmos problemas de anos. E quando achamos que estamos a caminho ou ensaiando uma saída do buraco, o cara que se propõe a isso morre em pleno exercício do cargo de presidente. O substituto que parecia comprometido com as causas, se afasta para cuidar da saúde. Este Coritiba anda fazendo mal à saúde de todos nós. De perder o sono, de irritar, de atrapalhar as relações pessoais… e com isso a gente vê os desistentes pelo caminho. O cenário vai aos poucos esvaziando. Parece cenários de guerra, de batalha perdida.
Acho que não resta mais nada que se possa dizer, avaliar e até de exorcizar. Ficou só o respeito entre nós, de ouvir calado os desabafos, pelo menos de minha parte, mas esperando que o outro logo termine sua choradeira para que a minha vez de subir ao palco e reclamar, chegue logo.
Porque a conversa de amor ao clube, sentimento que segurou a onda até aqui, vejo que também vai ficando pelo caminho com os desistentes. A cada jogo, vejo muita gente falando em vender coleção de camisa, de parar de pagar o sócio e de não ir mais ao estádio. Respeito e entendo e nem quero saber se posso ou não avaliar ou julgar cada uma destas decisões.
De 1988 a 1993, quando trabalhei como jornalista cobrindo o futebol, passando por três televisões, uma em rede nacional, vi coisas que gostaria de não ter visto. Aos poucos fui me afastando do Coritiba. Primeiro por necessidade, para tentar alcançar a isenção e fazer de fato jornalismo esportivo, sem torcer. Quando percebi, seguia muio mais pela tatuagem que fica encalacrada na gente, do que pela passionalidade.
De 93 em diante, fui poucas vezes ao estádio, mas por alguma razão acabei voltando a incorporar o personagem do torcedor e desta vez com requintes de crueldade, como se o clube tivesse me punindo pelo longo afastamento.
O fato é que me junto aos amigos do COXAnautas e também me apresento cansado. Mesmo que saiba das dificuldades e da doação necessária exigida a quem se candidata ao que se propôs Renato Folador. Glen Stenger e seu grupo não são nem de longe os profissionais que Follador pensou para comandar na ponta o Coritiba.
Ou o clube se profissionaliza ou terá morte lenta. E isso é urgente. A SAF em fase de implantação, precisa dar certa. Não há mais espaço para erros. Vejo este momento como a última chance do Coritiba. Chegamos no ponto final. Ninguém suporta mais, nem clube nem torcida.
Sobre o autor
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.
Sobre o blog
Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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