Nem Freud explica
Água fria numa pretensão que nem era uma tarefa das mais difíceis. Uma briga com três times que nem são lá estas coisas. Sem ainda levar em conta que o Fluminense veio quebrado. Além dos desfalques, estava (continua) em crise.
E agora? Agora temos duas pedreiras que parecem mais difíceis ainda. No mínimo com times teoricamente melhores que o nosso. Acho que estes dois resultados praticamente selam o rumo do clube na competição e até para o ano que vem.
Dois jogos pra lá de difíceis, mas que ouso arriscar no mínimo uma vitória e consequente recuperação (mais uma). Sim, este é o Coritiba que temos visto. Quando menos se espera, faz o improvável.
Pelo menos assim tem sido, como foi na vitória contra o Avaí, contra o Vasco e no empate com o Grêmio no Olímpico. Coisa pra analista, psicólogo com especialização em Freud explicar.
Aliás, acho que não precisa ser assim tão especialista. Parece estar claro que além de um time limitado e ruim, temos um elenco de atletas que não sabem jogar sob pressão. Não sabem se comportar diante da obrigação de ter que jogar o mínimo quando está em casa.
Um time bem diferente dos que sempre tivemos, que se sentiu em casa no Couto, e aqui era difícil arrancar um ponto. Isso é a maior prova da falta de identidade deste elenco, com a história do Coritiba.
Montaram um time de jogadores covardes, que agora resolveram responsabilizar a torcida acusando ela por criticar e se manifestar contra as ridículas apresentação que andam nos oferecendo. Pelo menos é o que dizem alguns jogadores e o treinador Ney Franco, em suas coletivas, depois das partidas.
Aliás, elenco tão covarde, que se vocês observarem bem, vão perceber que os atletas não são mais expostos nas coletivas. Blindam os caras como criança mimada que não pode ser cobrada pelos erros que cometeu.
Não sei como anda o ambiente lá por dentro, mas certamente não deve ser dos melhores. Saudades das velhas raposas que determinavam o rumo do time nestes momentos de crise. Estou falando dos dirigentes, de Hélio Alves, Frega, etc.
A rodada chave é contra o Atlético. Se jogar contra o Flamengo como time pequeno (como precisa ser) e arrancar um empate, vai pro clássico capaz de vencer. Qualquer resultado que não seja no mínimo um empate contra o Flamengo, e vitória no atletiba, a aguá bate um pouco além do pescoço. E aí... um abraço. A não ser que mais uma vez os resultados dos adversários diretos novamente ajudem. Aliás, esta é outra questão que precisa ficar clara.
O Coritiba anda abusando da sorte. Se antes era possível reclamar que ela tinha nos abandonado, agora, de um mês para cá, não dá pra reclamar. Estamos conseguindo nos manter na porta de saída da zona de rebaixamento com a ajuda dos outros que também brigam para sair e alguns para não entrar.
Vejam bem em que nível estamos mantendo esta conversa. O parágrafo acima define o nosso tamanho, as nossas pretensões dentro de uma competição e isso já dura alguns anos.
Mais uma coisa: no ano passado, a esta altura do Campeonato, a reação começava a ser esboçada. Mas também não dá pra esquecer que era ligeiramente diferente: tinha Alex e Joel, dois jogadores que no final da história fizeram a diferença. Este ano não. Temos apenas Wilson - que anda operando milagres - e Henrique, mas que se não tiver alguém lhe dando munição, de nada adianta. Quem sabe, com um pouco de sorte, se Kléber desencantar?
Sobre o autor
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.
Sobre o blog
Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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