Mais um ano daqueles...
Mas convenhamos, com o que temos nesta pré-temporada em Foz do Iguaçu, apenas o argumento da falta de ritmo e uma ligeira melhora na condição física podem ser aceitos. De resto, para este grupo, a pré- temporada, que já completa um ano, parece longe dos ajustes necessários para um time de futebol, pra exigir o mínimo. Afinal, todos ali já se conhecem de longa data. Deviam estar jogando mais afinados,guardando posições, sabendo o que o companheiro está pensando. Como num casamento.
Com as contratações feitas (quase nenhuma) não há muito que se esperar, a não ser que a sorte seja mais amiga que em anos anteriores e revele pelo menos um destes três recém chegados do Palmeiras, ou que um abduzido de algum clube, caia de paraquedas no Alto da Glória.
Parece não ser possível esperar nada além do que já sabemos. Será de fato um ano duro, com pouca chance de comemorar alguma coisa. Nossa chance de tirar a “nhaca”, quem sabe passe por um titulo estadual, mas com muito mais dificuldade que em anos anteriores.
Se no ano passado, o Operário nos surpreendeu, este ano será ainda mais difícil. Além do time de Ponta Grossa, teremos pela frente um Londrina ainda melhor que no ano passado e o Atlético que desta vez vem mais forte e também estará nas cabeças, como há anos não se apresentava, além do Foz que é praticamente a mesma coisa mas que também nos deu muito trabalho e também surpreendeu. Enfim, sonhando alto, sendo otimista, como sempre fui, o título do paranaense, o único possível há anos, em 2016 estará mais difícil ainda.
Talvez o único ponto a favor que temos é a Sul Minas-Rio. Quero dizer, de diferente do ano passado. É que o torneio pode nos dar uma referência, será uma boa prévia do que será o Brasileiro, e com um pouco de ousadia, e se nossos comandantes forem espertos, a torcida pode ser poupada este ano do sofrimento de final de ano, melhorando o time para no mínimo não nos deixar no pelotão de trás, brigando pela fuga do rebaixamento.
Em 2015, ainda foi possível tolerar a inexperiência de Bacellar, para este ano não.
Pra não ser exigente, consigo no máximo aceitar pelo menos a briga pelo titulo estadual, e admitir ter o Coritiba no bolo entre o décimo e décimo quarto no Brasileiro. Não me iludo e não seria pretensioso em achar que temos bala na agulha para brigar pela Sul Minas e nem pela Copa do Brasil.
Temos em Foz do Iguaçu, um grupo que já se conhece há pelo menos um ano, e disso espera-se o mínimo de entrosamento. Mas ainda não nos deram a oportunidade para medir esta qualidade, se é que existe. O número de substituições feitas neste primeiro jogo teste, contra o Foz, não permitiu esta avaliação. Nem no primeiro tempo, quando Gilson Kleina colocou em campo o que considera como time titular. Foi um jogo para readaptar os atletas ao ritmo de uma partida, ao tempo de bola, imagino eu. Início de temporada não permite críticas, avaliações mais aprofundadas, tudo é teste. Guarde suas críticas, ainda é cedo para avaliações.
Mas de uma coisa podemos ter certeza: o Coritiba se prepara para a sua primeira partida oficial, no final do mês, contra o Inter, que vai chegar de uma pré- temporada bem diferente que a nossa, disputando um torneio internacional, com times como Atletico Mineiro, Fluminense, Bayer Leverkusen, Shalk 04 e Corinthians. Isso sim é pré- temporada!
Preparem-se, nosso ano está só começando.
Sobre o autor
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.
Sobre o blog
Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
Ver comentários (37)
