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ArquibancadaSergio Brandão

Lá se foi mais uma semana e...

"Já são 09:10, e não aconteceu nada!" A frase é do amigo ALVARO A, publicada entre os comentários na coluna que publiquei no domingo, depois da derrota para o PSTC.

A manifestação de ALVARO, foi publicada na terça-feira, dois dias depois de mais uma tragédia. A frase me deixou pensando e lembro que respondi a ele falando que também não gostava daquele silêncio. Mas nem eu e nem o ALVARO sabíamos, mas era possível prever que a semana terminaria como começou, sem novidades. Comportamento típico da diretoria que hoje comanda o Coxa.

Veladamente, conheço muita gente que torce pela derrota contra o Paraná, na certeza que se isso acontecer, Kleina cai. Antes que me condem e me julguem como torcedor de derrota no clássico de domingo, já digo que nem de brincadeira consigo fazer este tipo de torcida, embora também ache que seria mais saudável para o Coritiba esta troca no comando técnico.

Se não cair agora, vai cair depois. Os dias de Kleina entraram na contagem regressiva desde que chegou, desde o primeiro dia de trabalho no Coritiba. Nem uma vitória convincente no domingo, salva Kleina. Apenas protela sua saída, prolongando sua vida.

Os dias de paz, a trégua que todos esperam, só virão quando as coisas se acalmarem internamente, nos bastidores. Quando o Coritiba finalmente for administrado por profissionais do futebol. Enquanto isso não acontecer, viveremos esta alternância de dias bons e ruins. Dias turbulentos nos esperam. Podemos ter calmarias, mas não se enganem. Evidentemente teremos a predominância de dias ruins. Arrisco dizer que dias bem piores ainda estão por vir. Mesmo sabendo que muitos ainda preferem acreditar nestas soluções paliativas apresentadas toda semana. Nos iludimos e muitos até chegam a acreditar que com o pagamento dos salários, por exemplo, as coisas vão melhorar. Até pode, mas como disse, apenas por algum tempo, a calmaria não será definitiva. As coisas precisam tomar rumos profissionais lá dentro, no comando, nos gabinetes e por enquanto só vejo saída numa eventual renúncia da atual diretoria. Mas como o reconhecimento dos erros cometidos seguidamente, e que estão levando o Coritiba ao fundo do poço é uma humildade que seguramente não habita nossos bastidores, seguimos persistindo nos erros e equívocos.

Enquanto isso, vamos nos educando na ansiedade, que pode ser percebida em sutilezas como esta, da frase do amigo ALVARO A: "Já são 09:10, e não aconteceu nada!" Dois dias depois de uma derrota absurda, mais uma aliás, para um time pequeno, coisa que nunca fez parte de nossa história. E agora nos obrigam a aprender a conviver com este tipo de coisa, nos impondo derrotas para times amadores.

Entre tantos problemas, o mais urgente que já deveria ter sido resolvido é esta falta de atitude, da inércia, de insistir em ir contra os padrões do futebol brasileiro, de não demitir treinador em caso de sequência de insucessos. Não é de hoje que apenas demitem quando não há mais o que fazer. Casos de Marquinhos de Roth e Ney Franco, para citar dois casos recentes. Certamente porque estão sempre mais preocupados com a rescisão, que acaba sempre onerando o clube, já pelo pescoço com dívidas.

Como sempre, acaba sobrando para o torcedor este problema da falta de dinheiro. E aqui cabe mais uma vez lembrar que se o torcedor debandou, é porque não há contrapartida da diretoria. O preço cobrado pelo serviço oferecido, não condiz com o produto oferecido. Ir ao Couto ou ver o Coritiba jogar, é voltar pra casa com a sensação de estar sendo enganado. As conversas e justificativas dos dirigentes subestimam a nossa inteligência.

Agora , são 9:43 de sexta—feira, e de domingo pra cá, o noticiário do clube se atém a questão burocrática, de tropeços e de obrigações trabalhistas com seus funcionários. Pagaram o que devem, mas Kleina continua treinador, e mais uma vez deixaram escapar a notícia de uma contratação que novamente não aconteceu e para não dizer que nada é positivo, parece que finalmente Ortega – a grande incógnita das recentes contratações - pode estrear no domingo. Este foi o Coritiba desta semana. Nos falta o departamento de Futebol dos bons tempos de Coritiba, que virava a mesa quando as coisas não andavam bem dentro de campo.

Este é o Coritiba que temos para hoje e que muito provavelmente será nos próximos meses ou quem sabe, nos próximos anos. Muito pouco, quase nada... passa muito longe do desejo da enorme e apaixonada torcida. Me torno até chato, eu sei, com esta ladainha de quase todas as colunas aqui publicadas. No caso de uma derrota no domingo, não teremos mais a indignação de antes, porque já tivemos situações piores. Já perdemos até para Toledo e PSTC, o que seria perder para o líder do Campeonato? Estão formando um novo torcedor: o sofredor conformado.

O Coritiba de hoje, não vale o preço que pago e como consumidor tenho meus direitos e vou reclamar até que me ofereçam um produto melhor. Não só porque apenas preservo meus direitos de exigir qualidade pelo que pago. Mais, muito mais que isso, porque me dói ver o time que amo neste estado. Enquanto eu estiver lúcido, preservarei meu sagrado direito de protestar e de nunca perder o poder de indignação.

Sobre o autor

Sergio Brandão
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.

Sobre o blog

Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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