"Inveja mata"
Como muitos de vocês, sonho em ver uma final destas, promovida pelo futebol mineiro, na Copa do Brasil, entre o Coritiba e Atlético. Também sonho em ver o Coritiba jogando como jogou o Atlético Mineiro nesta partida decisiva, contra o Flamengo. Confesso que assistindo ao jogo, cheguei a pensar que aquela garra seria suficiente para nos tirar desta situação desesperadora que estamos. Quando o Galo chegou ao terceiro gol, pensei - assim que gostaria de ver o Coritiba contra o Fluminense, no sábado. Não ficaria dúvida sobre o resultado que o Coritiba tanto precisa.
A qualidade do futebol desta partida entre Atlético MG e Flamengo, até nem foi assim anos luz do que o Coxa anda mostrando, mas aquela garra, sim. Aquilo vem da alma daqueles caras e é tão forte, que chega a ser determinante. A garra que começa nas arquibancadas, com o "eu acredito” e contagia dentro de campo. A torcida alviverde já fez isso muitas vezes, ainda neste campeonato outras tantas. Acreditou como ninguém... e continua acreditando.
O futebol mineiro joga e aplica o melhor futebol do Brasil, no momento. Por isso está na decisão. Um chegando ao seu quarto título brasileiro, e o outro ainda briga pelo G4. Organização e profissionalismo é a receita.
Enquanto isso, nossa festa - se houver- será se conseguirmos nos manter na primeira divisão. São realidades bem diferentes e que mesmo assim nos motivam neste mundo estranho do futebol.
Lembro que desde criança, quando me apresentaram o futebol, a gente era estimulado a ter um clube em outros estados. Na época já sofríamos do complexo de vira-latas. Também, pudera : período de Pelé, Tostão, Rivelino, Felix, Clodoaldo, Jairzinho, Reinaldo...
Tudo bem, o futebol mudou e virou um grande negócio. Os talentos são raros e já trataram de nos reeducar nesta nova avaliação que se faz de um craque de futebol. Os critérios não são mais assim, tão exigentes e o talento se mescla com outras qualidades que vão sendo desenvolvidas com o tempo. Talvez Zico, nos anos 80, tenha sido o marco deste novo atleta, que além do talento precisa ser desenvolvido em “laboratório”.
Mas a verdade é que com o que tem, com o futebol que pode jogar, o Coritiba precisa dar uma solução ao problema que criou, neste sábado, contra o Fluminense. Com o talento de alguns e o conhecimento acima da média de apenas um, o time precisa achar um caminho para vencer e ainda continuar respirando na competição.
Me parece ser a garra a principal ferramenta deste momento. Que não tenha placar adverso, resultado parcial que tire o foco do único objetivo que deve ser a vitória a qualquer preço.
O sentimento do “eu acredito”, mais uma vez deve estar nas arquibancadas. Com 4, 5, 12, 17 mil torcedores, não importa. É a energia do “eu acredito” que deve reger o Couto neste sábado.
Para que na semana que vem, a gente possa assistir Galo e Cruzeiro, um pouco mais aliviados e esperançosos, ainda gostando do bom futebol que com certeza os dois, Galo e Cruzeiro devem mostrar, e que um dia o Coritiba volte a jogar.
Sobre o autor
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.
Sobre o blog
Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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