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ArquibancadaSergio Brandão

A herança do Coritiba

Torcedor é um bicho tão estranho, tão identificado com o sofrimento e alegria ao mesmo tempo, especialmente o Coxa-Branca, que, mesmo meses antes da estreia na série B, já sai por aí dizendo que vai ser difícil subir. Pelo menos é o que vejo nas redes sociais.

Tem por aí quem já faz estas conjecturas, sem levar em conta que não só o Coritiba, mas os 19 adversários, que também não serão os mesmos deste ano. Futebol é momento e o momento dos 20 clubes da série B do ano que vem, é de férias. O que dá pra avaliar é a movimentação de bastidores para montagem de elenco para 2024.

A angústia, a raiva e o desprezo da Treecorp com o torcedor, parece que explicam esta impaciência do torcedor Coxa. É angustiante o sentimento de impotência. Emtendo que se antes, ou há muito ela já não era, agora menos ainda.E isso irrita mesmo.

Entre a torcida, alguns se sentem aliviados responsabilizando a turma de lá que votou a favor no referendo dos sócios, a outros o arrependimento ou o questionamento de ter errado a mão, e ainda a turma do “eu já sabia” ou do “eu avisei”, porque é mais confortável apontar o dedo na cara dos outros.

Na soma, sobra uma torcida de rivais do mesmo time. É no que estamos nos tornando. Mesmo os mais novos, nascem ranzinzas, sem paciência para o amanhã. Ninguém com tempo para a espera, afinal, há 15 anos esperamos. Nem sabemos direito o quê. Tenho ao meu lado, entre filhos, sobrinhos, filhos de amigos, conhecidos, uma legião de torcedores herdeiros de um Coritiba do passado bem distante.

Proponho trégua. Não entre nós. Acho que as divergências educadas devem seguir. Este espaço, com raras exceções, tem nos revelado verdadeiros postulantes à vaga de CEO do clube. A trégua deve haver em nome do Coritiba, da graça que um dia vimos no futebol, que deve estar por aí, perdido em algum lugar. Ainda haveremos de achar ou de reencontrar um pouco de prazer, não só no debate pesado, mas de torcer pelo Coritiba.

Da leveza que um dia também já tive. Em nome da boa convivência, quem sabe possamos ter um 2024 melhor.
Assim espero.

Sobre o autor

Sergio Brandão
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.

Sobre o blog

Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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