Gazeta do Povo prega pessimismo
“Coxa está perto da pior campanha como visitante em Brasileiros”. A foto com legenda completa o show de pessimismo: “Coxa foi goleado pelo Figueirense em Florianópolis”.
Por mais que quebre a cabeça, não consigo pensar em outra saída para um jornal “mal das pernas”, que não seja em estratégias ousadas de venda, adotando hábitos saudáveis nas editorias, tentando circular entre seus leitores com temas sérios e otimistas, ganhando assim a simpatia e confiança. Neste momento é uma "mancada" o tema proposto. Depois, mais tarde, quando o Brasileiro terminar, quem sabe seja uma bela materinha “de gazeta”.
O time mal consegue respirar saindo da zona do rebaixamento, ganha folego com duas posições além da ZR e o jornal me sai com esta? Se a estratégia é torcer contra, o tiro é certeiro. Se a estratégia é vender, claro que o tema é pra lá de inoportuno. Pessimismo não é um bom tema pra ser debatido neste momento, especialmente entre torcedores do Coritiba, por razões que me parecem óbvias.
Com o Paraná Clube fora da zona do rebaixamento da série B, do Atlético há rodadas tendo conquistado as férias antecipadas na série A, o Jornal parece buscar o pessimismo pagando com o preço da incompetência. Nas demais editorias é a mesma coisa. Isso justifica a atual situação do jornal. Parece que o caminho que escolheu não tem volta mesmo.
Em qualquer Estado, é regra no jornalismo esportivo enaltecer os clubes locais. Quando não tem motivos para elogios, não cria histórias negativas. Aqui, a Gazeta joga sistematicamente contra o Coritiba. E não é porque sua direção é atleticana, não. É incompetência da editoria de esporte que perdeu critérios de escolha do que pode, quando pode e se pode abordar determinado tema. Explorar a atual situação do Coritiba na tabela, quase escapando do rebaixamento- coisa que não parecia acontecer- deveria ser tema para muitas matérias positivas, com textos criativos que certamente chamariam mais atenção do torcedor Coxa.
Conheci muitos editores de esporte da própria Gazeta (quando ainda era um jornal de respeito), torcedores do Atlético. Não lembro de ter visto algo parecido, com tamanha desatenção editorial. Eram jornalistas comprometidos com a informação. Quando não tinham notícia, não inventavam e nem se propunham a absurdos como este. O jornalismo esportivo paranaense está cada vez mais pobre e todos nós pagamos por isto.
Se é pra assumir uma postura de arquibancada, de jornalismo partidário, então que seja com inteligência, como fez Nelson Rodrigues, um dos maiores torcedores do Fluminense, mas que nunca se indispôs com torcida adversária.
Jornal, jornalistas e jornalismo se faz com respeito a quem lê, ouve e vê.
Sobre o autor
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.
Sobre o blog
Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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