Fim do estoque de fé!
Parece que primeiro é preciso levar em conta todas as dificuldades que o time tem. É limitado, não há mais de onde tirar invenções, não há peças que não tenham sido aproveitadas, não há caminho, nem de fé ou psicológico que aponte uma saída. O time é fraco mental e tecnicamente. Incapaz de andar sozinho, se não tiver uma ajuda externa, do “sobrenatural de almeida”.
Não há duvida que só um milagre, como disse Ricardo Honório -o “Milagre de Chapecó”! O próprio Honório, nas projeções que fizemos em programas anteriores da Tv- COXAnautas, lembrava que se na última rodada houvesse ainda o risco de queda, que então a Chapecoense lembrasse da solidariedade aqui manifestada naquele trágico acidente matando o time todo em disputa pela sul-americana, que por sinal hoje completa um ano.
Sabemos que nada disso deve ser levado em conta. A sorte que nos rondou e ajudou em rodadas recentes, acaba de mudar de endereço e nos deixou falando sozinhos, sem ter com quem contar, sem ter para onde correr. Como acreditar num time como o este do Coritiba? Como achar que ainda é possível, se mais uma vez quem joga é só a torcida, quando é necessário que em campo seja feito pelo menos o mínimo necessário?
Retomando o raciocínio do início do texto, imagino que tendo o caráter que tem, Marcelo Oliveira tenha noites e noites de insônia, quebrando a cabeça. No caso dele sem peças de encaixe, porque não resta mesmo muita coisa para ser feita. Assim como ele, teremos mais uma semana de agonia. A última rodada entra na contagem regressiva a partir de hoje, sem que possamos contar com o time que nos representa.
Me assusta neste exercício de projeções, as surpresas que nosso treinador possa apostar, mais uma vez por absoluta falta do que fazer: Kleber me parece ter volta assegurada. O alemão e Daniel também parecem ser um caminho a ser levado muito em conta. Mas me assusta quando lembro que ainda temos Anderson, afastado, mas que ainda está disponível e é funcionário do clube. Se até Dodô andou sendo escalado como meia, porque não admitir a volta de Anderson. Afinal, é tudo para salvar ou matar de vez o Coritiba. Não dirão que pelo menos tentaram.
Sim, meus caros! Sinal do mais puro desespero contar com soluções que nunca foram solução. Entramos numa semana onde nem o nosso estoque de fé existe mais. Acabou neste domingo, onde os mesmos erros insistem em se repetir, sem que seja possível imaginar algo melhor para a rodada de encerramento, mesmo que ainda dependemos apenas de nós mesmos. E é aí que mora o nosso maior problema: Nunca acreditamos em nós... agora nem mais em milagres.
Sobre o autor
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.
Sobre o blog
Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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